Juca Bala justifica apelido e termina em primeiro na categoria maratona
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2000
Por Julio Cruz Neto 
Waw el Kebir, 17 (AE) - O piloto Joaquim Gouveia, conhecido no Brasil como Juca Bala, começou a justificar seu apelido também no deserto africano. Na etapa de hoje do rali Dacar-Cairo, a 11ª
entre Sabha e Waw el Kebir, Juca fez, de KTM, o oitavo melhor tempo entre as motos, primeiro na categoria maratona. Foram 146 quilômetros em 1h03min11, 5min48 atrás do austríaco Heinz Kinigardner, que venceu a etapa. O espanhol Juan Roma ficou em segundo, mas mantém a liderança. Juca é o 22o no geral e sexto na maratona.
O resultado de hoje foi o melhor de Juca Bala não só nesse ano como também comparando com o ano passado, quando participou do Dacar pela primeira vez. A missão é quase impossível, mas Juca ainda não desistiu de lutar pela vitória na maratona: "Poupei a moto no início e agora vou tentar tirar tudo dela." Mas a desvantagem para o português Paulo Marques, primeiro na categoria, ainda é de quase 3h.
Etapas curtas como as de hoje não causam grandes mudanças na classificação, mas a partir de agora as distâncias vão aumentar. A especial de amanhã, entre Waw el Kebir e Waha, Líbia, tem 657 quilômetros. Segundo Juca, é hora de fazer a navegação com muito cuidado para pegar as trilhas certas. E esperar que os outros não consigam seguir a planilha: "Amanhã, é tudo ou nada. Quem tiver que se orientar pelo GPS, pode pegar caminhos mais difíceis, em dunas maiores, e perder tempo." Hoje, Juca esqueceu de pegar o GPS, mas a navegação era tão fácil que nem fez falta.
A temperatura na madrugada de hoje girou em torno de um grau centígrado e Juca, que acordou às 5h para largar às 6h30, teve que lançar mão de todos os recursos disponíveis para se aquecer: duas camisetas, dois moletons, uma jaqueta e duas meias. Mas não foi suficiente: "Parei duas vezes no deslocamento para esquentar a mão perto do motor. Depois, descobri que dava para deixar uma delas no radiador enquanto pilotava." Já Kléver Kolberg viveu uma situação bem mais preocupante. A três quilômetros do fim da especial, o pneu dianteiro direito de seu Mitsubishi furou, segundo ele, a 170 km/h. O carro saiu da pista, mas após desviar de alguns montes de areia, Kléver controlou a situação.
Como faltava pouco, ele e o navegador francês Pascal Larroque seguiram do jeito que estava. E o pneu chegou irreconhecível ao acampamento de Waw el Kebir, onde a paisagem enfim mudou: só areia por todos os lados e um céu colorido de tons fortes de laranja e roxo depois que o sol se pôs, por volta das 17h30. Até o Níger, devido à grande quantidade de poeira na atmosfera, via-se sempre um sol branco, meio oculto pela névoa, seja de manhã cedo ou no fim da tarde.
Kléver chegou ainda meio assustado, torcendo para que não haja mais etapas velozes como essa: "Me deu uma moleza nas pernas. São duas coisas que não podem acontecer nessas trilhas rápidas: aparecer um buraco inesperado ou furar um pneu."
Os outros brasileiros que disputam o Dacar de carro, pela equipe Troller, chegaram tranquilos a Waw el Kebir, sem pressa. Arnoldo Silveira Junior e Gabriel Galdino fizeram o melhor tempo: 41o, sendo quarto entre os entreantes, e estão em 46o geral. Outros: Cacá Clauset e Amyr Klink (63o e 67o), Roberto Macedo e Marcos Ermírio de Moraes (71o e 101o), ReinaldoVarella e Alberto Fadigatti (108o e 62o).
O vencedor entre os carros foi o francês Jean-Pierre Fontenay, mas o japonês Kenjiro Shinozuka continua liderando a corrida. Ambos correm de Mitsubishi.
Nos caminhões, André Azevedo e os checos Tomas Tomecez e Petr Vodak continuam fazendo o que podem com seu Tatra, mais lento que os concorrentes, para manter a segunda colocação. Hoje, fizeram o terceiro tempo. Mas o Kamaz pilotado pelo russo Firdaus Kabirov foi o primeiro, tirou 1min48 de vantagem e está a apenas 7min30 de André: "Vai ser difícil segurar o segundo lugar." O outro Kamaz, de Vladimir Tchaguine, lidera com 42min27 de vantagem.


