Amsterdã, Holanda - Romário e Ronaldo têm muito em comum. Ambos são brasileiros, ganharam Copas do Mundo para o Brasil, foram e continuam sendo polêmicos, têm talentos inquestionáveis e iniciaram a carreira internacional no mesmo time, o PSV Eindhoven, da Holanda. Ambos são ídolos no clube holandês e servem de espelho para um outro brasileirinho trilhar caminho semelhante no time. Andreas Hugo Hoelgebaum Pereira tem apenas 14 anos, mas já é um veterano de PSV e está sendo preparado para seguir os passos dos brasucas famosos.
Andreas nasceu na Bélgica, em 1º de janeiro de 96, mas tem dupla nacionalidade por ser filho de brasileiros. O pai, Marcos, paranaense de Ivaiporã, mas que tem a família radicada em Londrina, também foi jogador e acabou de pendurar as chuteiras para cuidar da carreira do filho e, quem sabe, se tornar treinador no futuro. Ele acompanha o filho em todos os torneios pela Europa afora. Procuro ser o mais imparcial possível, não cobrar, não exagerar. Deixo ele bem à vontade'', diz o pai coruja. ''É muito importante ter o apoio e ao mesmo tempo as cobranças, porque ele me ensina muito, principalmente na parte de ter que trabalhar muito e estar sempre focado no meu objetivo. Grande parte de minha evolução devo a ele'', completa o garoto.
Andreas mora com a família em Lommel, pequena cidade belga de cerca de 30 mil habitantes localizada na fronteira com a Holanda. São aproximadamente 30 quilômetros de distância até Eindhoven, onde treina e estuda.
Bem cedo, o ônibus do clube passa na fronteira para pegar o garoto, que vai para a escola junto com os outros jogadores da base do time, além de atletas de outras modalidades. ''Preciso acabar meus estudos. É muito importante ter um diploma caso venha a precisar. O futebol não é para sempre'', diz Andreas.
Depois da aula, é hora de treinar. A estrutura do PSV é invejável. O time possui um ótimo Centro de Treinamentos, com campos específicos para cada tipo de trabalho, mini estádio, e campos com grama sintética, usado principalmente quando a neve dá as caras. Tudo isso à disposição apenas das categorias de base, já que há uma outra estrutura para atender somente o time profissional.
Grandes clubes
A FOLHA foi ver de perto a atuação de Andreas. A reportagem acompanhou o garoto em ação em um torneio na categoria Sub-15, na região de Amsterdã, com a participação de grandes clubes europeus, como os ingleses Liverpool e Chelsea o holandês Ajax e o belga Anderletch.
Andreas tem 14 anos, mas já é titular do time dos meninos de 15. É uma espécie de curinga do técnico Edwin Dewijs, mas gosta mesmo é de atuar como meia-atacante, vindo de trás com a bola para disparar chutes fortes e certeiros. Seu estilo lembra muito o de Kaká, guardadas as devidas proporções.
Apesar de atuar desde os 9 anos no time holandês, ele mantém a ginga e malícia brasileiras. ''Ele é muito disciplinado taticamente e tem qualidade para ser um grande jogador, mas tem que trabalhar muito ainda'', analisou o treinador, que fez questão de ressaltar o defeito do garoto. ''Ele quer jogar futebol em todos os momentos do jogo, mas tem hora que tem que dar bicão mesmo'', afirmou.
Na partida contra o Liverpool, vitória por 3 a 0 e uma grande demonstração de personalidade. Chamou o jogo para si. Armou, correu, marcou e serviu aos companheiros, além de se impor diante dos adversários. seu time chegou à decisão, mas caiu diante do Anderletch por 2 a 0. Esse tipo de disputa é rotineira para o garoto. Quase toda semana ele tem um torneio com o intercâmbio de grandes times europeus para disputar.
Para o treinador o ganho é muito grande neste tipo de competição. ''É importante para vermos as diferenças de cultura dos times. Cada um tem uma forma de jogar. Além disso, desperta a vontade de ganhar. perdeu um jogo tem um pequeno intervalo e já vem outro para ganhar e se recuperar'', disse Dewijs. ''Esses torneios são muito importantes para o desenvolvimento dos jogadores tanto fisicamente como, e principalmente, mentalmente. Essa intensidade do jogo, esse curto intervalo entre uma partida e outra para pensar e refletir'', completou o diretor das categorias de base do PSV, Jelle Goes, que integrou a comissão técnica de Zico no CSKA da Rússia.
Por falar em estrangeiros, há muitos deles nas divisões menores dos times europeus. Um outro destaque do time de Andreas, por exemplo, é marroquino. ''Nessa idade, isso não tem muita diferença. Mas é importante conhecer o jogador e a cultura do país de onde está vindo'', finalizou Dewijs.

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