''Indescritível.'' É a única palavra que me veio à cabeça assim que coloquei os pés no chão. Em um misto de satisfação e êxtase, me recordei que apesar de estar ''meio tonta'', que me garantiram ser uma sensação comum aos estreantes, deveria relatar a experiência. Passado o susto, só me vêm a lembrança da sensação, que muitos definem como ''voar''.
Desde o início da preparação, com as orientações do instrutor, equipamentos e efetivamente o salto (se você disser ''pular de pára-quedas'', termo comum aos ''leigos'', o pessoal pode se zangar), são cerca de uma hora e trinta minutos.
Em um avião monomotor (Cessna 182 - Skylane), eu, o instrutor Fábio Pelayo, o Laércio Gomes, ''Neno'', responsável pelas imagens, e o piloto decolamos do Aeroporto 14 Bis, e sobrevoamos a cidade por cerca de 25 minutos, até alcançarmos três mil metros de altura, ou dez mil pés.
A visão panorâmica de Londrina e cidades vizinhas, em meio as plantações, já compensava. Até que o instrutor deu a ordem para iniciar o salto. Abriu-se a porta do avião e, o que até agora, estava fácil, começou a assustar. Um vento forte e a temperatura, em média dez graus abaixo da que temos aqui no chão, e claro, a altura, me fez repensar a aventura.
Vencido o medo, em meio a rapidez dos procedimentos, saltamos. Descemos 1,5 mil metros, a 200 quilômetros por hora, em apenas 35 segundos, que mais pareceram três minutos. Até estabilizarmos no ar, foram duas cambalhotas atordoantes, que reforçaram a descarga de adrenalina. O barulho, tão comum no ''chão'', dá lugar ao silêncio, só quebrado pelo vento. A sensações de frio e medo foram rapidamente substituídas por algo, como disse ''indescritível''. ''Só conhece quem já saltou'', reforçou a estudante de pedagogia Silvia Vizoni, 18 anos, paraquedista há três meses.
De repente, o instrutor acionou o pára-quedas, como se alguém apertasse o freio. Vem a fase da navegação, que dura de 10 a 15 minutos. Um vôo suave e lento, em que é possível contemplar a paisagem.
O pouso chega a ser um pouco frustrante, pela sensação de ''acabou''. Talvez essa sensação que faça tantas pessoas continuarem a praticar o paraquedismo e que faça desse um esporte uma opção de vida. (Cristiane Oya)

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