Jornalista inglês pesquisa futebol-paixão
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sábado, 08 de julho de 2000
Claudemir Scalone De Londrina 
- Primeiro tempo: Bandeirantes, Paraná. Revoltado com a marcação de um pênalti contra o seu time, o presidente do União Bandeirante, Serafim Meneghel, invade o gramado, saca a arma da cintura e dá um tiro na bola, pondo fim à partida. (A história, não confirmada pelo dirigente, integra o folclore do futebol paranaense)
- Segundo tempo: Lima, Peru. Argentinos e peruanos decidem uma vaga no futebol para os Jogos Olímpicos de 1964 em Tóquio. A seleção da casa marca um gol no último minuto que lhe daria a classificação. Entretanto, o juiz anula o gol e o que era festa acaba em tragédia. Cerca de 300 torcedores morrem na confusão que se seguiu à anulação do gol. Revoltada, parte da torcida se dirige à sede do governo peruano e exige que o presidente anule a decisão do árbitro por decreto. Anos mais tarde, o árbitro se converte e vira monge. (A história, verídica, ficou conhecida no país como a tragédia de 64)
Os dois episódios descritos acima são exemplos típicos do fascínio exercido pelo futebol e são alguns fatos que vão ilustrar o livro do jornalista inglês Piers Edwards, 26 anos. Confesso aficcionado do futebol desde a infância é torcedor do Wimbledon e free lancer de jornais esportivos em Londres , Edwards vem pesquisando desde novembro do ano passado como o futebol influencia pessoas e nações por todo o mundo. A idéia de escrever o livro nasceu há três anos, após quatorze meses de intensa pesquisa numa biblioteca de Londres.
Ele iniciou sua pesquisa de campo em novembro do ano passado na Europa. Já passou pela África, Israel, Irã e América do Sul. Nas duas últimas semanas, visitou o Brasil, coletando fatos e informações sobre o nosso futebol.
Formado em Estudos Hispânicos pela Universidade de Nottinghan, o jornalista inglês focou sua atenção no Brasil nas cidades do Rio de Janeiro e Bandeirantes. No Rio, conversou com o jornalista Washington Rodrigues, o Apolinho, que além de comentarista esportivo já foi técnico do Flamengo, e um correspondente inglês. Apesar de não falar português, Edwards captou bem os meandros do futebol brasileiro, ao qual dedicará um capítulo. O futebol no Brasil é dominado pelos homens da política, que usam o futebol como trampolim. Mas o caos na organização dos campeonatos não influencia os jogadores, que seguem mostrando qualidades, ele analisa.
A visita a Bandeirantes, na última quarta-feira, foi motivada por uma entrevista que leu numa edição antiga da revista Veja com Serafim Meneghel, presidente do União Bandeirante. Me interessei pelo assunto devido à paixão que ele (Meneghel) tem pelo futebol e à história do tiro que teria dado na bola durante uma partida, disse Edwards. Serafim Meneghel negou o fato, mas mesmo assim o jornalista deve dedicar-lhe algumas linhas em seu livro. O inglês também visitou a Folha para conhecer detalhes sobre o caráter e as histórias de Meneghel no futebol paranaense.
Edwards pretende terminar seu livro em novembro. Até lá, vai passar por Índia, China, Malásia, Bangladesh e Austrália. Amanhã, o jornalista retorna a Londres para um breve descanso. Aproveita o intervalo para alinhavar mais algumas páginas de seu livro, do qual só escreveu um dos 23 capítulos previstos. Depois, segue em busca por fatos e outros personagens que reflitam o lado passional pelo futebol.


