São Paulo, 25 (AE) - Aos 35 anos, o volante Jorginho orgulha-se de ser apontado como o símbolo da garra do São Paulo, responsável, em grande parte, pela classificação do time para a semifinal do Campeonato Brasileiro. Nos dois últimos jogos do Tricolor diante da Ponte Preta, em Campinas, Jorginho, o mais velho atleta do grupo, foi um exemplo de superação, atuando por 90 minutos com a força e dedicação de um iniciante.
O segredo de tanta vitalidade, segundo o jogador, está em sua preocupação em cuidar do corpo. São exercícios diários, aliados a uma vida regrada, com uma alimentação balanceada e longe dos vícios do cigarro e do álcool. As agitações noturnas, antes comuns em início de carreira, ainda no Rio, foram trocadas pelo convívio familiar e por frequentes missões religiosas.
"Me sinto bem e preparado para jogar até os 40 anos", afirmou Jorginho, que vê em sua nova posição em campo, a de volante, um meio de prolongar sua vida no futebol. Os tempos de lateral já fazem parte do passado. No meio, o experiente jogador tornou-se um comandante perante os companheiros mais jovens, o que não lhe tirou o espírito guerreiro. Às vezes, chega até a exagerar na briga pela posse de bola, cometendo um número excessivo de faltas.
Para o técnico Paulo César Carpegiani, é um atleta indispensável. "O Jorge tornou-se um ponto de equilíbrio", definiu o treinador. O jogador, porém, ainda não se contentou com todas as conquistas, como o título mundial em 1994 com a seleção brasileira, na Copa dos Estados Unidos, e continua em busca de novos desafios, dentro e fora do campo.
No próximo mês, o atleta deverá inaugurar o Centro Esportivo Jorginho, voltado a crianças carentes de Guadalupe, bairro do Rio onde viveu sua pobre infância. "Já que sou um privilegiado, com uma boa situação financeira, tenho de ajudar a minha comunidade."

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