Jonas almeja artilharia para buscar sonhos mais altos
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Paulo Galdieri<BR> Agência Estado 
São Paulo - Aos 26 anos, após uma passagem frustrante pelo Santos, Jonas está na melhor fase de sua vida no futebol. A artilharia do Campeonato Brasileiro está sob seus pés - marcou 20 gols até agora. E essa foi a meta que o atacante do Grêmio estabeleceu para si como forma de levar sua carreira a um novo patamar. Calçado pelos gols e pela boa performance, ele disse que sonha até em vestir a camisa da seleção, já que o técnico Mano Menezes é seu velho conhecido: os dois trabalharam juntos no clube gaúcho, em 2007.
Agência Estado - Você esperava lutar pela artilharia, ou mesmo chegar à reta final liderando a lista de goleadores do Brasileiro?
Jonas - Eu já tinha o desejo de ser o artilheiro do campeonato. No ano passado eu estava bem, mas uma lesão me atrapalhou muito. Mas neste ano as coisas estão indo bem. Acho que posso conseguir, e isso será importante para minha carreira.
AE - Disputar a artilharia mesmo com o Grêmio vivendo aquela má fase do começo do campeonato foi surpreendente?
Jonas - Eu coloquei na cabeça que este ano tinha de ser diferente pra mim mesmo. Tinha de tentar dar um salto na carreira. E ser artilheiro do Campeonato Brasileiro é uma coisa importante.
AE - Você tem uma meta de gols?
Jonas - Eu sempre quero entrar e fazer cinco gols por jogo. Mas se eu fizer um por partida está bom demais.
AE - Você é atacante de fazer muitos gols, mas também costuma perder muitos...
Jonas - Eu sei, eu sei... É verdade.
AE - Mas isso atrapalhou a sua carreira? No Santos, no seu começo, você teve uma passagem não tão boa...
Jonas - É, mas tive lesões no Santos que me atrapalharam. Na Portuguesa também. No Grêmio, na outra passagem, também. Mas agora estou me sentindo bem. Neste ano tenho conseguido manter uma boa média. Acho que fiz uns 60 jogos e marquei uns 40 gols. É uma boa marca.
AE - Então você acha que foram só as lesões que lhe atrapalharam?
Jonas - Sim. Eu poderia ter tido uma trajetória diferente da que tive. Mas também não tive nenhuma base. Comecei com 20 anos a jogar futebol em clube. Não joguei em categorias de base. Antes disso, eu só jogava lá na minha cidade (Bebedouro). Mas, se eu explodisse antes, não estaria preparado para tudo o que vem junto.
AE - Você está em uma fase da sua carreira em que pensa em objetivos mais ousados, como jogar na seleção brasileira ou se transferir para um time da Europa?
Jonas - Todo mundo pensa. Seleção é difícil, mas o trabalho do Mano está sendo bem feito e isso cria expectativa. Trabalhei com ele no Grêmio, em 2007. Se vier a trabalhar com ele na seleção, será maravilhoso. E Europa é um desejo meu, mas para ir teria de ser alguma coisa boa.
AE - Então você não iria para um clube médio da Europa, ou para um país como Rússia ou Ucrânia?
Jonas - O interessante seria disputar uma liga europeia. E há vários times bons na Ucrânia, na Rússia, que disputam esses campeonatos, como a Liga dos Campeões. Claro que também gostaria de jogar num time mais importante na Itália ou na Espanha. Mas seria bom poder jogar uma Liga dos Campeões por qualquer equipe.
AE - O que o Renato Gaúcho fez para conseguir melhorar o Grêmio, que estava tão mal no começo?
Jonas - A chegada do Renato foi fundamental porque a gente estava num momento difícil. Ele chegou e passou a confiança de que a gente estava precisando naquele momento. Ele não é só treinador, mas também é um ídolo do Grêmio e isso foi importante. O mérito dessa recuperação do time no Brasileiro é todo é dele.
AE - Mas qual a grande diferença que ele conseguiu levar para o elenco?
Jonas - Ele passou essa confiança para a gente. Ele é excelente, um excelente treinador. Aqui está todo mundo gostando muito dele, de trabalhar com ele.
AE - Foi o ambiente que mudou? O que se ouvia era que o Grêmio tinha problemas de relacionamento quando o Silas era o técnico...
Jonas - Não, com o Silas estava muito bom também. Falaram muito sobre isso, mas não tinha nada. O que aconteceu foi que os resultados não aconteceram. E aí chegou o Renato, durante a parada da Copa, e, depois de ele ter umas dificuldades no começo, a coisa melhorou bastante.
AE - O Renato foi um grande atacante. Ele costuma ajudar vocês?
Jonas - Ele conversa, sim. Dá dicas, ensina. Ele também brinca com gente. Cobra para a gente fazer mais gols. É muito bom tê-lo trabalhando com a gente aqui. Ele tem passado muitas coisas para nós.
AE - Quantos gols você acha que pode fazer neste Brasileiro?
Jonas - Faltam oito jogos, quero fazer o máximo de gols que eu puder, mas não quero falar um número específico. Mas sei que há um recorde de gols na era dos pontos corridos (34) e seria muito bom se eu conseguisse passar essa marca.
AE - Há um jogador que é seu ídolo, ou que você acha que tenha características parecidas com as suas?
Jonas - Longe de dizer que é igual, não tem nada a ver, mas eu gosto de ver o Ronaldo jogar. Ele é muito fera.


