O mito Garrincha com uma espingarda na mão e montando um cavalo. A foto é mais uma das relíquias da coleção de revistas esportivas antigas do aposentado e ex-atleta Ary de Oliveira, 65 anos. As preciosidades, parte do acervo de 88 exemplares, estão em exposição numa vitrine de loja do Calçadão de Londrina. Jóias preservadas até hoje por persistência do dono e amor ao futebol, tanto dele quanto do irmão Alair de Oliveira, 67, o Palito.
São exemplares dos anos de 1956 a 1970, das extintas Manchete Esportiva e Gazeta Esportiva. Mostram as equipes que conquistaram o tricampeonato em 58, 62 e 70 e os grandes times do País na época. E Palito faz questão de exibir as fotos de Garrincha, herói dos primeiros títulos da seleção, que era conhecido como ''A Alegria do Povo.''
''O Garrincha era melhor que o Pelé. E a melhor seleção foi a de 1958. Também antigamente o futebol era bem melhor do que hoje'', opinou. E desfilou o elenco de craques do Brasil: Nilton Santos, Didi, Djalma Santos, Belini. ''Agora, os jogadores dão mais valor ao dinheiro e estão mais preocupados em arrumar o cabelo do que em jogar bola. Os jogadores eram mais raçudos antes'', acrescentou Palito.
Para Ary, as lembranças das Copas misturam-se às recordações sobre a história de Londrina. Ele conta que acompanhou as competições desde 1954 na cidade, sempre usando o rádio da praça para se informar. ''O movimento de torcedores era grande onde hoje é o Calçadão'', ressaltou. Segundo ele, outro destaque do acervo são as crônicas de Nelson Rodrigues sobre os jogos dos campeonatos do País e de competições internacionais.
Os irmãos Oliveira sempre foram apaixonados por futebol. Praticaram o esporte e futebol de salão por equipes da cidade e chegaram a representar Londrina em um torneio no Paraguai. Palito, no entanto, deixa os méritos da conservação do acervo para Ary. ''Nós dois comprávamos as revistas porque sempre gostamos muito de futebol. Mas foi ele quem guardou tudo até hoje'', admite Palito.
O material foi exposto em outras lojas em Copas anteriores. O proprietário Ary ressalta o ''valor histórico'' da seleção e afirma que, se não vender o acervo, pode doá-lo para um museu no futuro.

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