Jogos no Brasil estão sob suspeita de manipulação
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terça-feira, 05 de fevereiro de 2013
Das Agências 
São Paulo - A Europol, polícia europeia que fica em Haia (Holanda), anunciou ontem o desmantelamento de uma rede suspeita de ter manipulado partidas de futebol, incluindo jogos da Liga dos Campeões da Europa e das eliminatórias para a Copa do Mundo, implicando árbitros, dirigentes e jogadores.
As partidas, algumas das quais foram alvo de processos criminais bem-sucedidos, foram disputadas entre 2008 e 2011. Cerca de 380 dos jogos suspeitos foram realizados na Europa. Outros 300 foram identificados na África, Ásia e América do Sul e Central. A investigação contou com a colaboração conjunta das polícias da Alemanha, Hungria, Eslovênia, Finlândia e Áustria.
Os investigadores disseram que não serão divulgados nomes de jogadores ou clubes enquanto a investigação estiver em andamento, mas apontaram especificamente para o jogo entre as seleções sub-20 da Argentina e da Bolívia, válido pela Copa Córdoba, em 2010.
O confronto acabou 1 a 0 para os argentinos com um gol de pênalti aos 56 minutos do segundo tempo. O árbitro húngaro Lengyel Kolos deu 13 minutos de acréscimo em uma partida que não teve apagão ou confusão, apenas uma parada técnica de poucos minutos.
"Temos provas em 150 desses casos, e as operações foram executadas a partir de Cingapura, com propinas de até 100 mil euros pagos por jogo", esclareceu o investigador-chefe da polícia da cidade alemã de Bochum, Friedhelm Althans, em uma entrevista coletiva à imprensa.
"É evidente que se trata da maior investigação de todos os tempos sobre supostas manipulações de jogos", disse o diretor da Europol, Rob Wainwright, em entrevista coletiva em Haia, afirmando também que o caso sacode a integridade do esporte no mundo todo.
"É o trabalho de uma organização criminosa sofisticada, com base na Ásia e que trabalha com coordenadores em toda a Europa", explicou. "A manipulação de resultados é uma ameaça real ao futebol que implica muita gente. Os benefícios ilegais ameaçam a situação geral deste esporte", avisou Wainwright.
O diretor da Europol declarou também ter escrito ao presidente da Uefa, Michel Platini, explicando os resultados da investigação para que o futebol "tome nota e não baixe a guarda".
A Uefa garantiu que ajudará a investigação assim que receber mais informações da polícia.
A denúncia da Europol afirma que a maioria das apostas ilegais foram feitas em partidas jogadas na Turquia, Alemanha e Suíça, mas jogos na América Latina, África e Ásia também estão sob suspeita.
Telefone e internet
Os investigadores descreveram como membros de gangues imediatamente subordinadas ao líder de uma rede mundial, em Cingapura, foram incumbidos de manter contatos com jogadores e funcionários corruptos em vários países.
Laszlo Angeli, um promotor húngaro, deu um exemplo de como o esquema funcionava: "O integrante húngaro, que estava imediatamente abaixo do chefe de Cingapura, entrava em contato com árbitros húngaros que poderiam, então, tentar influenciar partidas em que atuavam em todo o mundo", afirmou.
Os cúmplices fazem as apostas na Internet ou por telefone, em casas de apostas na Ásia, onde são aceitas apostas que seriam consideradas ilegais na Europa.
"Um jogo arranjado pode envolver até 50 suspeitos em 10 países, em continentes separados", esclareceu Althans. "Mesmo dois jogos de qualificação para a Copa do Mundo na África, e um na América Central estão sob suspeita", completou.
Fifa
A Fifa, entidade que comanda o futebol mundial, divulgou um comunicado citando declarações de seu diretor de Segurança, Ralf Mutschke, antes de uma conferência sobre manipulação de resultados em Roma, no mês passado.
"Como regra geral, é difícil que os jogos de qualificação para a Copa do Mundo sejam arranjados, já que a Copa do Mundo é o maior evento para as equipes e, acima de tudo, para os jogadores", declarou o diretor de Segurança. "Estamos, obviamente, acompanhando bem de perto as partidas, mas ainda não há suspeitas de manipulação de resultados."


