São Paulo - Os Jogos de Inverno de Salt Lake City, que nos últimos anos foram sinônimo de escândalo, corrupção e vergonha, começam hoje, nos EUA, com um novo status.
Maior evento esportivo a ser realizado no país depois dos atentados terroristas de 11 de setembro, os Jogos passaram a ser encarados como uma forma de redenção para os norte-americanos.
A 19ª edição da Olimpíada vai até o próximo dia 24 e terá a presença de mais de 2.300 atletas de 80 países, que participarão de 78 competições, em dez modalidades, e lutarão por 234 medalhas. O Brasil estará representado por 11 atletas, que formam a maior delegação da história do país a participar dos Jogos de Inverno.
As cerimônias de abertura e encerramento acontecerão no Estádio Ricce-Eccles, localizado dentro do campus da Universidade de Utah, e que foi reformado em 1998 para receber os Jogos. Outros dez locais abrigarão as competições nos 17 dias do evento.
Com um esquema de segurança nunca antes visto na história das Olimpíadas, a cerimônia de abertura, que acontece à meia-noite de amanhã (horário de Brasília), terá a presença do presidente George W. Bush.
Outra atração da solenidade deverá ser a bandeira dos EUA achada nos escombros do World Trade Center, em Nova York. O COI (Comitê Olímpico Internacional) chegou a proibir que o símbolo, que contém assinaturas de parentes das vítimas dos atentados, fosse utilizado, mas, para escapar de uma polêmica com o país anfitrião, teve que acabar cedendo.
Pela primeira vez um secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas) participará da abertura desse evento esportivo. Kofi Annan justificou sua presença em Salt Lake dizendo que estaria ‘‘construindo um mundo melhor através do esporte’’.
Mas todo este clima de patriotismo e esperança acabou mascarando o escândalo de corrupção que marcou a escolha, em julho de 1995, de Salt Lake City como sede dos Jogos deste ano.
O pior escândalo da história do COI foi descoberto no final de 1998, quando membros da entidade foram acusados de trocar seus votos por dinheiro, presentes, viagens e até bolsas de estudos em universidades norte-americanas para seus parentes. Na época, Salt Lake City teria gasto cerca de US$ 1,2 milhão com os dirigentes do COI durante o processo de seleção da cidade.

mockup