O ano era de 1979. Reunidos em uma sala da antiga Ametur (hoje Fundação de Esportes de Londrina-FEL) estavam o então presidente do órgão, Oswaldo Militão, e o jornalista Flávio Campos, editor de esportes da Folha de Londrina. A conversa começou assim: ''Flávio, precisamos mexer com o esporte da cidade. Como fazer isso?''
Gaúcho de Pelotas, Flávio Campos já tinha uma ideia em mente. ''Em Porto Alegre existia os Jogos Intersociedades de Futsal. Os clubes sociais da época montavam times só para este evento e era um sucesso total. Resolvi, com base naquela competição, criar uma disputa similar em Londrina, mas com uma amplitude nas modalidades. A finalidade principal era incentivar a prática das mais diversas modalidades de esporte e lazer, proporcionando aos associados uma maior atividade na época do inverno, período que os clubes sofrem um esvaziamento natural'', conta o jornalista, hoje aposentado da mídia impressa e radiofônica.
Designado como Coordenador Geral do evento, Flávio convidou os clubes sociais de Londrina, os fundadores da competição. Foram eles: Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), Associação Cultural e Esportiva de Londrina (ACEL), Associação dos Funcionários Municipais de Londrina (AFML), Associação Recreativa e Esportiva Londrinense (AREL), Canadá Country Club, Grêmio Literário Recreativo Londrinense, Iate Clube de Londrina, Londrina Country Clube e Londrina Esporte Clube. ''A primeira edição teve a disputa de 36 certames. A competição era promovida pela Ametur/Folha, com a primeira ficando encarregada dos custos com troféus, medalhas, arbitragens, entre outros, enquanto o jornal fazia a divulgação, que na época chegou a ter duas páginas'', observa.
Julho de 2010. Os Jogos de Inverno chegam em sua 32 edição e uma notícia se espalhou pelos clubes. ''Acabaram os Jogos de Inverno''. Muita gente ficou preocupada, outras nem tanto. Na verdade, o que aconteceu foi uma cisão entre os clubes sociais e a associações de classes que, com o tempo, foram acrescidas à competição. ''Muita coisa aconteceu no decorrer dos anos, que foram fazendo com o interesse fosse diminuindo. Está tendo jogos este ano? Não vi nenhuma notícia do evento'', indaga Flávio Campos, que ficou à frente da disputa de 1979 a 1985.
Para o também jornalista Isnard Cordeiro, que passou a ajudar na organização da competição em 1986 e ficou até 2003, ''os Jogos de Inverno acabaram quando Folha de Londrina parou de dar cobertura, que chegou a ter duas páginas por dia. O evento tinha patrocinadores e o público acompanhava passo a passo as disputas pelo jornal'', lembra.
A separação dos clubes e associações em 2010 ainda é pouco entendida. A Associação dos Clubes Esportivos de Londrina (Acelon), reativada no início desta década, tem hoje como presidente Luciano Bucharles (também preside o Londrina Country Clube). Bucharles disse que a ideia de separação já vinha sido discutida há três anos. ''Os Jogos possuem muitas modalidades e os clubes já não têm o mesmo número de sócios de antigamente. No ano passado alguns presidentes já reclamavam'', observa. A competição da Acelon foi disputada na primeira quinzena de julho.
Por parte da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), o assessor especial, professor João Borges, conta que aguardou até o último momento a resposta dos clubes, que foram convidados. ''Para nossa surpresa os clubes disseram que não iam participar. Não sabemos o motivo da saída deles'', relata. Com isso a 32 edição foi disputada apenas pelas associações com o encerramento no último dia 28.

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