Às 14 horas de ontem, uma euforia tomava conta das ruas, que, por sua vez, foram inundadas de verde-e-amarelo. Por volta das 15 horas, mães carregavam apressadas os filhos pelas mãos e colegas de trabalho saíam em grupo, lotando carros para o principal programa do dia. Uma hora depois, a imagem da cidade era outra: supermercados vazios, atendentes de farmácias reunidos em frente a aparelhos de TV, taxistas improvisando na calçada a sala de casa. O primeiro jogo do Brasil na Copa transformou a tarde da terça-feira em feriado.
Os ''gatos pingados'' encontrados pelas ruas tinham basicamente dois motivos para estar ali ou não ligam para futebol ou não conseguiram escapar do trabalho. ''Eu ganho por dia, e morango estraga de um dia para o outro, então o jeito foi ficar aqui e acompanhar o jogo pelo rádio'', conformou-se o vendedor Gildo Alves Ribeiro, que passou os 90 minutos da disputa em pé na esquina da Rua Goiás com a Avenida Higienópolis, atento ao velho radinho.
Quem também não quis perder a tarde de trabalho foi o pedreiro José Fernandes da Silva, que, enquanto acontecia o primeiro tempo do jogo, continuou a preparar o terreno para fazer uma calçada no Centro da cidade. ''A coisa não está fácil'', justificou. Ele confessou não ser dos mais apaixonados por futebol, mas pouco depois das 16 horas, não descartava a idéia de assistir aos últimos lances da partida.
Para a dentista Andréa Portela, o jogo foi uma oportunidade para fazer o que nunca consegue no meio da semana: caminhar no Zerão. Ela era uma das poucas presenças do parque, junto com um casal que passeava calmamente de bicicleta. O pouco movimento não chegou a incomodá-la. ''Encontrei uns conhecidos'', argumentou, e acrescentou que, no domingo, pretende acompanhar a performance da seleção.
Mais ansiosa estava a caixa de farmácia Flávia Montanha, que, às 17h10, aguardava pelo ônibus em um dos bancos do Terminal Urbano. O desejo era pegar pelo menos o final da partida em casa. ''Se pudesse, não teria trabalhado agora à tarde. Mas doença não espera, tive de ficar na farmácia durante o primeiro tempo. Tomara que o ônibus não demore muito.''

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