Na mira dos investigadores, cartola brasileiro pode ser o próximo a ser preso; ex-presidente do Barcelona já foi detido por envolvimento no esquema
Na mira dos investigadores, cartola brasileiro pode ser o próximo a ser preso; ex-presidente do Barcelona já foi detido por envolvimento no esquema | Foto: José Cruz/Agência Brasil



Genebra - Ricardo Teixeira usou uma rede de empresas de fachada e contas em seis paraísos fiscais para desviar pelo menos 8,4 milhões de euros (R$ 30 milhões) da seleção brasileira e lavar dinheiro. Por contas secretas, ele ainda movimentou mais de 24 milhões de euros (R$ 90 milhões) de origem suspeita.

Isso é o que revelam documentos da Justiça da Espanha que apontam o ex-presidente da CBF, que vive no Brasil, como o líder de uma "organização criminosa transnacional". A investigação se baseou em documentos que o jornal O Estado de S.Paulo revelou em agosto de 2013 e que teve nova fase nesta semana, com a prisão do ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell.

De cada US$ 1 milhão que a seleção ganhava em cachês, Ricardo Teixeira ficava com US$ 450 mil (R$ 1,4 milhão), sem contabilizar a comissão que seguia para Sandro Rosell. Em dois casos, a renda integral do jogo foi desviada para contas do cartola catalão.

De acordo com a investigação, ao vender os direitos sobre os amistosos da seleção brasileira, Ricardo Teixeira obrigava a empresa compradora, a ISE, a fazer pagamentos para seu benefício próprio e em "prejuízo à CBF". "Desta forma, Teixeira recebeu um total de 8,3 milhões de euros e Rosell 6,5 milhões de euros, nos dois casos sem conhecimento da CBF e em seu prejuízo", declarou a Audiência Nacional de Madri.

Nesta quinta-feira (25), a Justiça da Espanha determinou a prisão incondicional, sem o direito a fiança, de Sandro Rosell. Joan Besoli, seu sócio e pessoa que tramitou o pedido de residência em Andorra para Ricardo Teixeira, também teve o mesmo destino. Os investigadores deixam claro que o próximo em sua lista é o brasileiro, considerado como o principal arquiteto do esquema. A suspeita é de que os dois investigados tenham lucrado US$ 15 milhões (cerca de R$ 49 milhões) com a venda de direitos de imagem dos jogos amistosos do Brasil.

DEL NERO
O presidente da CBF, Marco Polo del Nero, é citado na denúncia preparada pelo Ministério Público da Espanha, e confirmada pela Justiça, sobre lavagem de dinheiro e corrupção no futebol. É apontado como uma das pessoas que receberam subornos da Klefer, empresa de Kleber Leite, para a Copa do Brasil de 2013.

A denúncia contra o chefe da CBF já fazia parte das investigações do FBI, apresentada em 2015. Agora em Madri, o caso e o cartola voltam a ser mencionados. Desta vez, os procuradores apontam que a Klefer foi uma das empresas que alimentaram a rede de companhias de fachada para lavar dinheiro proveniente da CBF.

De acordo com a investigação, a empresa depositou em 14 de abril de 2014 quase US$ 1 milhão (R$ 3,28 milhões) para a Itasca, companhia com sede no Panamá e controlada pelo grupo de Sandro Rosell. A rota do dinheiro envolvia intermediários, como a Exterpise Travel, que recebeu os valores da Klefer antes de passar adiante para seu destino final. Marco Polo Del Nero teria sido um dos beneficiários.

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