Leipzig - A seleção mexicana que hoje joga a sua sorte na Copa do Mundo contra os argentinos é a prova viva de que a globalização chegou para ficar no futebol. A equipe é dirigida pelo argentino Ricardo Antônio La Volpe e tem, entre os 23 convocados, o brasileiro naturalizado mexicano Zinha e o também neomexicano Guillermo Franco, que como o treinador nasceu na Argentina.
Dos três, quem viverá hoje as emoções mais contraditórias será sem dúvida La Volpe, de 54 anos. Campeão do mundo pela Argentina em 1978 era o terceiro goleiro da seleçào dirigida por César Menotti ele poderá transformar em pesadelo o sonho de seu país se tornar tricampeão mundial. Preferia que não fosse assim, mas agora pacência. A meta traçada pelos mexicanos para a Copa da Alemanha vai além das oitavas-de-final.
''Se chegarmos às quartas-de final será fantástico. Umas vitória sobre a Argentina numa Copa do Mundo pode mudar a história do futebol mexicano dentro do próprio país. Ninguém mais vai se sentir inferiorizado quando enfrentar as grandes potências'', disse ontem La Volpe, que foi persuadido pela Fifa a não mais fumar durante as partidas da Copa.
Contestado quase que diariamente pela imprensa e por boa parte dos mexicanos desde que assumiu a seleção em novembro de 2002, La Volpe, com seu indefectível cavanhaque e um estilo que mais parece o de um cantor de cabaré, sabe perfeitamente que o jogo de hoje será um divisor de águas na sua trajetória à frente da seleção do México. Se vencer e chegar às quartas, será endeusado. Mas se perder, deixará a equipe nacional e o caminho estará livre para que o ex-ídolo Hugo Sanchez assuma o comando.
Outro que ficará no mínimo tenso quando ouvir o hino da Argentina será o atacante Guillermo Franco, de 29 anos. Ex-jogador do San Lorenzo, Franco se naturalizou mexicano ano passado depois de perceber que não teria chance de defender seu país num Mundial. Já o brasileiro Zinha lembrou que na Copa de 90, com 14 anos, viu o Brasil ser eliminado pela Argentina ao lado da família no interior de São Paulo. ''Chorei muito naquele dia. Mas acho não posso entrar pensando em vingança. Mas que seria ótima fazer um gol e eliminar a Argentina seria'' disse o brasileiro, de 29 anos. (M.F./Agência O Globo)

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