Jogo leva torcida à taquicardia
Para quem não é muito ligado em futebol, o jogo de hoje entre Corinthians e Palmeiras é só mais uma partida onde 22 marmanjos vão ficar 90 minutos correndo desesperadamente atrás de uma bola, sujeitos a pontapés, empurra-empurra e muita confusão para - que coisa boba! - fazer a bola balançar uma rede e, no final das contas, atrapalhar o horário da novela.
Mas, para aqueles que se denominam porco com muito orgulho ou que têm no topo de sua lista de maiores sucessos da música brasileira aquele hino que começa assim Salve o Corinthians..., o encontro de hoje à noite no Estádio do Morumbi, em São Paulo, pelas quartas-de-final da Taça Libertadores da América, é daqueles que dão taquicardia com dias de antecedência.
Jogar contra o Corinthians é pior que pulpite (inflamação do canal do dente), define o dentista Roberto Fedato, cônsul do Palmeiras em Londrina. Nem mesmo os argumentos de que no último domingo o arqui-rival levou de quatro do Mogi Mirim em pleno Parque São Jorge, que o meia Rincón está fora da partida e o técnico Evaristo de Macedo pediu as contas e instalou uma crise no clube acalma os palmeirenses.
Mario CesarVade retro!O médico Fernando Garcia: longe da sogra palmeirenseEm jogo assim as minhas unhas vão embora, comenta Fedato, admitindo a tensão que fica depois que a bola começa a rolar. Sai até sangue dos meus dedos. Segundo ele, mesmo com todos os problemas que o Corinthians vem enfrentando, não se pode desprezar o poder de fogo do adversário. É um time de garra; contra nós, então, os jogadores se superam.
Esse respeito todo, no entanto, tem hora determinada para ser esquecido: o apito final do juiz - principalmente se a vitória for verde e branca. Aí valem as brincadeiras, a gozação..., comenta Fedato que, poderia se dizer, dorme com o inimigo. A mulher dele, Rosaura, é corintiana.
Do outro lado da arquibancada está o cardiologista Fernando Garcia. Acostumado a tratar do coração dos outros, afirma que será um daqueles jogos de grandes emoções. O Corinthians está parecendo coração doente, nos últimos jogos ele vem claudicando, mas esperamos que amanhã (hoje) ele traga boas palpitações, diz o médico. As partidas decisivas ele costuma acompanhar com um grupo de amigos - todos corintianos.
É bom porque, assim, a gente esquece um pouco a tensão do dia-a-dia, se concentra no jogo e dá para relaxar um pouco, afirma Garcia, que só não relaxa quando vê a partida na casa da sogra. Ela é palmeirense e, aí, o único jeito é assistir na tevê do quarto, enquanto ela fica na sala, brinca.Dorico da SilvaNervosismoO dentista Roberto Fedato: unhas roídas até sangrarCláudio Osti





