JOGO HISTÓRICO - Faltou gol na festa do futebol
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quinta-feira, 20 de maio de 2004
Almir Leite<br> Agência Estado 
Paris - A festa dos 100 anos da Fifa foi impecável. O cenário, espetacular, o Stade de France. As equipes, charmosas, eram França e Brasil, as duas últimas campeãs do mundo e líderes do ranking internacional. Os uniformes do primeiro tempo, originais, reproduziam a forma como jogadores se vestiam no início do século passado. Os dois times, poderosos, entraram em campo recheados de astros. A torcida, animada, lotou um dos palcos esportivos mais bonitos da Europa. Faltou um detalhe importante e fundamental no futebol: o gol. O resultado de 0 a 0, até comum, dessa vez teve sabor de estraga-prazer.
As 79.344 pessoas que pagaram para ver a ''revanche da final de 1998'' não foram premiadas com espetáculo à altura da tradição dos personagens centrais. França e Brasil, para usar um chavão do futebol, se respeitaram demais. Assim, mesmo com a presença de grifes como as de Roberto Carlos, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Zidane, Henry, as chances boas, reais, de gol, podem ser contadas nos dedos de uma só mão.
No primeiro tempo, os anfitriões usaram camisa azul com botões, além de bermuda branca, cinto bege e meias vermelhas. Como mandava o figurino dos primeiros anos do século 20. Os brasileiros vestiram uniforme branco, usado de 1914 até o fiasco na final do Mundial de 1950. Com a vestimenta pouco usual, as duas equipes amarraram o clássico. O Brasil no início usou a velocidade de Cafu tanto que foi o capitão do penta quem deu o primeiro chute a gol, para fora, aos 8 minutos.
A França despertou só no meio da etapa inicial, com duas boas descidas em contra-ataque numa delas, Henry deu corte seco sobre Cris, teve o gol aberto a sua frente e chutou para fora.
No segundo tempo, os times entraram com uniformes atuais e previsíveis como o futebol que mostraram. O ritmo foi mais lento e nem as três substituições para cada lado mudaram o panorama. O lance mais significativo do Brasil veio em chute de Roberto Carlos, que bateu na trave.
À medida que o jogo se aproximava do fim, ficava claro que o 0 a 0 estava de bom tamanho. Para a torcida... bom, para esta restou o consolo de curtir a noite de primavera e temperatura amena de uma das cidades mais lindas do mundo.
EM PARIS
França 0
Coupet; Thuram, Boumsong, Desailly (Mendy) e Gallas; Makelele, Vieira, Pires (Wiltord) e Zidane (Kapo); Henry e Trezeguet. Técnico: Jacques Santini
Brasil 0
Dida; Cafu, Cris, Luisão e Roberto Carlos; Edmílson, Juninho Pernambucano (Júlio Baptista), Zé Roberto (Edu) e Kaká (Alex); Ronaldinho e Ronaldo. Técnico: Carlos Alberto Parreira
Árbitro: Manuel Mejutu (ESP)
Estádio: Stade de France
Público: 79.744


