Jogo de botão não, isso é futebol de mesa
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sábado, 18 de fevereiro de 2006
Reportagem Local 
Eles levam a sério o que para muitos é brinquedo de criança: o futebol de mesa, ou futebol de botão, saudável hobby que ainda encanta gerações de garotos e marmanjos e que para os adeptos mais fervorosos virou esporte de verdade foi oficializado em 1989 pelo Conselho Nacional de Desportos (CND).
Apaixonados pelos ''jogadores'' que deslizam em cima da mesa e empurram a bolinha redonda rumo ao gol adversário, o mineiro José Grossi Sobrinho, o Juquita, 67 anos, e o paulistano José Luiz Negreti, 61, ambos radicados em Londrina, são amigos inseparáveis dos botões desde a infância.
O mais maduro da dupla, Juquita lembra do tempo em que os botões ainda não eram comprados no bazar ou em lojas de brinquedos, mas retirados de casacos e sobretudos dos pais e avós.
Invenção do brasileiro Geraldo Décourt, o jogo de botão foi criado, segundo os sites especializados, no ano de 1920. No início, eles eram de fato os botões usados em roupas. Aos poucos, com a popularização do hobby, as fábricas começaram a criar ''lentes'' aqueles jogos de botões baixos, incolores, nos quais o adepto colava o adesivo do time de preferência ou criava o próprio time.
Juquita, que foi fisgado pela paixão pelo botão aos 7 anos, em Juiz de Fora (MG), sua terra natal, conheceu ao longo desse tempo várias gerações de jogos e de jogadores. Hoje, como especialista na área, participante de campeonatos brasileiros e fã inveterado do futebol de mesa, ele só utiliza botões oficiais de acrílico (discos com um furo no meio), bola de feltro comprada em lojas especializadas e só joga em mesa de medidas oficiais.
Em sua casa, no quartinho dos fundos, ao lado da área de lazer, ele exibiu com orgulho para a reportagem a caprichada mesa de 1,83m x 1,15m, com rede de tecido nas traves, na qual ele ''bate bola'' com os amigos e também treina para enfrentar os ''adversários'' aos sábados. Os jogos são no Moringão, onde a Fundação de Esportes de Londrina (FEL) cedeu uma sala para o Clube Londrinense de Futebol de Mesa (CLFM). O clube, em parceria com o Grêmio Londrinense, possui seis mesas oficiais nas quais os 12 ''atletas'' filiados ao CLFM jogam simultaneamente.
Se parece curioso ver 12 pessoas jogando ao mesmo tempo, imagine um Campeonato Brasileiro, onde mais de 150 inveterados disputam o título distribuídos em 60 mesas dentro de um grande ginásio. ''Isso é futebol de mesa, que é modalidade oficial, tem regras específicas e inclusive árbitro. Não se pode confundir com jogo de botão, que também é divertido, mas aí é coisa de garotada'', enfatizou Juquita. Ele fez uma analogia dizendo que ''o jogo de botão está para o futebol de mesa assim como o ping-pong está para o tênis de mesa''.


