Jogar Bets nas tardes de domingo, numa rua tranquila e espaçosa, é o que faz um grupo de amigas da Vila Portuguesa, região central. Todos os finais de semana Adriana Felix de Souza, 13 anos; Vanessa Alves Gobbo, 12; Karen Evelyn Carvalho, 10; e Luciana Maria Horácio, 11 se encontram para brincar na rua. ‘‘Nós brincamos de pega-pega, futebol, bola queimada , mas o que a gente mais gosta é do Bets’’, contou Vanessa.
Elas fazem parte de uma geração informatizada, que vivem a infância nos vídeogames, computadores e aparelhos de televisão, mesmo assim, todas se divertem com as chamadas brincadeiras de rua.
O jogo de Bets é também conhecido por Taco e precisa de quatro integrantes. Adriana explicou que as quatro se dividem em dois times. Uma dupla forma o time que fica com o taco, e a outra forma o time que atira a bola. ‘‘A gente improvisa o Taco’’, explica Vanessa, mostrando um pedaço de madeira que pegou numa data vazia.
O resto do material também é improvisado: na extremidade de cada campo tem uma garrafa de plástico vazia, que serve como ‘‘alvo’’ a ser derrubado pela bola. ‘‘A bola tem que ser bem pequena, dessas de jogar tênis, porque dificulta a batida do taco’’, revelou Adriana. A dupla do taco tenta rebater a bola para fazer pontos. ‘‘Vence o time que ficar com a bets e fizer 24 pontos primeiro’’.
Uma rua plaina é o melhor lugar para a brincadeira e o melhor horário, segundo as meninas, é depois das 15 horas, porque o sol não é tão forte. Os carros que passam atrapalham a brincadeira, uns motoristas até provocam a criançada. ‘‘Hoje mesmo passou um motoqueiro e jogou uma bombinha na gente’’, disse Luciana.
Tem alguns vizinhos que também implicam com as nossas brincadeiras. Elas contaram que um dia a bolinha caiu no quintal de um vizinho e que ele apareceu com uma faca querendo furar a bola. ‘‘Só depois de muita insistência, a gente o convenceu a devolver a bola’’, revelaram aliviadas por conseguirem continuar brincando.

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