Jogadores sentem saudade dos clubes
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quarta-feira, 24 de junho de 1998
Agência Estado 
Os principais jogadores da Seleção Brasileira estão com saudade dos seus clubes. Três partidas na Copa foram suficientes para fazer com que Ronaldinho, Roberto Carlos e Rivaldo, além dos reservas Denílson e Giovanni, lembrassem do futebol que praticam em seus times. Ronaldinho e Roberto Carlos ainda não conseguiram justificar na Copa o título que receberam na última temporada, de primeiro e segundo melhores jogadores do mundo. Ronaldinho, que marcou apenas um gol na competição, contra a Escócia, disse que joga de forma diferente na Internazionale de Milão, onde costuma ser acionado com mais rapidez. O atacante marcou 35 gols em sua primeira temporada pela Inter.
O lateral-esquerdo Roberto Carlos é a principal estrela do Real Madrid. Mas lá ele tem liberdade para apoiar o ataque sem ter preocupações exageradas com a defesa. Tanto o técnico anterior do time, o italiano Fábio Capello, quanto o atual, o alemão Juup Heynckes, sabem que a importância de Roberto Carlos está no ataque e não na defesa. Com um chute potente e preciso, o jogador precisa rondar a área do adversário. O Real Madrid joga para mim, é diferente, constatou o craque. Na Seleção existem muitos craques e preciso jogar de outra forma.
Rivaldo e Giovanni marcaram 34 gols, juntos, no Campeonato Espanhol. Lá, jogam mais avançados. A gente precisa marcar no Barcelona, mas não tanto, compara Rivaldo. Giovanni, chamado de apático por Zagallo, foi um dos destaques do Barcelona na conquista do Campeonato Espanhol e da Copa do Rei. O técnico do Barcelona apostou no meu futebol e eu consegui disputar uma grande temporada. No Barcelona, segundo Giovanni, ele é quase um atacante. Na Seleção, precisa marcar e atacar sempre. Posso fazer isso, mas preciso de mais chance para mostrar que tenho condições de jogar tudo o que eu sei.
Denílson, do São Paulo, um driblador com inegável vocação ofensiva, tem cumprido funções burocráticas no esquema da Seleção. Contra a Noruega, o jogador não pôde explorar o seu potencial de ataque, preocupado em seguir o número 7, o baixinho Mykland, como exigia Zagallo na beira do campo.
Folga A derrota para a Noruega mudou os planos da Seleção e a folga dos jogadores, ontem, foi encurtada. Ao contrário dos outros dias livres, a apresentação no hotel em Lésigny passou das 23 horas para as 20 horas. A intenção era ter todos os jogadores na concentração para o jantar. Em seguida, estava prevista uma reunião com a comissão técnica. Os jogadores tiveram que correr para não perder a hora.
O técnico Zagallo vai comandar dois treinamentos hoje: o primeiro secreto, pela manhã, no hotel; à tarde, o treino será no estádio Trois Sapins, em Ozoir-la-FerriSri.


