Os principais jogadores da Seleção Brasileira estão com saudade dos seus clubes. Três partidas na Copa foram suficientes para fazer com que Ronaldinho, Roberto Carlos e Rivaldo, além dos reservas Denílson e Giovanni, lembrassem do futebol que praticam em seus times. Ronaldinho e Roberto Carlos ainda não conseguiram justificar na Copa o título que receberam na última temporada, de primeiro e segundo melhores jogadores do mundo. Ronaldinho, que marcou apenas um gol na competição, contra a Escócia, disse que joga de forma diferente na Internazionale de Milão, onde costuma ser acionado com mais rapidez. O atacante marcou 35 gols em sua primeira temporada pela Inter.
O lateral-esquerdo Roberto Carlos é a principal estrela do Real Madrid. Mas lá ele tem liberdade para apoiar o ataque sem ter preocupações exageradas com a defesa. Tanto o técnico anterior do time, o italiano Fábio Capello, quanto o atual, o alemão Juup Heynckes, sabem que a importância de Roberto Carlos está no ataque e não na defesa. Com um chute potente e preciso, o jogador precisa rondar a área do adversário. ‘‘O Real Madrid joga para mim, é diferente’’, constatou o craque. ‘‘Na Seleção existem muitos craques e preciso jogar de outra forma.’’
Rivaldo e Giovanni marcaram 34 gols, juntos, no Campeonato Espanhol. Lá, jogam mais avançados. ‘‘A gente precisa marcar no Barcelona, mas não tanto’’, compara Rivaldo. Giovanni, chamado de apático por Zagallo, foi um dos destaques do Barcelona na conquista do Campeonato Espanhol e da Copa do Rei. ‘‘O técnico do Barcelona apostou no meu futebol e eu consegui disputar uma grande temporada.’’ No Barcelona, segundo Giovanni, ele é quase um atacante. Na Seleção, precisa marcar e atacar sempre. ‘‘Posso fazer isso, mas preciso de mais chance para mostrar que tenho condições de jogar tudo o que eu sei.’’
Denílson, do São Paulo, um driblador com inegável vocação ofensiva, tem cumprido funções burocráticas no esquema da Seleção. Contra a Noruega, o jogador não pôde explorar o seu potencial de ataque, preocupado em seguir o ‘‘número 7’’, o baixinho Mykland, como exigia Zagallo na beira do campo.
Folga A derrota para a Noruega mudou os planos da Seleção e a folga dos jogadores, ontem, foi encurtada. Ao contrário dos outros dias livres, a apresentação no hotel em Lésigny passou das 23 horas para as 20 horas. A intenção era ter todos os jogadores na concentração para o jantar. Em seguida, estava prevista uma reunião com a comissão técnica. Os jogadores tiveram que correr para não perder a hora.
O técnico Zagallo vai comandar dois treinamentos hoje: o primeiro secreto, pela manhã, no hotel; à tarde, o treino será no estádio Trois Sapins, em Ozoir-la-FerriSri.

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