Dor nas costas, comida estragada, assaltos, estradas esburacadas, noites mal dormidas. Quase obrigatórios na aventura de quem decide cruzar o Brasil com uma mochila nas costas, os inconvenientes das longas viagens de ônibus se tornaram rotina para os jogadores que disputam o Campeonato Nacional de Basquete Masculino.
Com o corte feito pela Confederação Brasileira de Basquete (CBB) na concessão de passagens aéreas, as equipes estão sendo obrigadas a enfrentar verdadeiras maratonas pelas estradas. É o caso do Londrina/TIM, durante a excursão que fará pelo Centro-Oeste brasileiro no fim de semana que vem.
Para este ano, a CBB só libera passagens aéreas para distâncias superiores a 800 quilômetros. Como a primeira parada do time é em Uberlândia, onde encara o Unit, no dia 27, terá que viajar de ônibus. A distância entre as cidades é de 716 quilômetros.
De lá o time parte para Goiânia, enfrentando mais 350 quilômetros de estrada, para pegar o Universo/Ajax, dois dias depois. A última parada é no Distrito Federal, onde joga contra o Universo/Brasília na noite seguinte. Para isso, percorrerá mais 209 quilômetros. Ao final, o Londrina/TIM terá rodado 1.275 quilômetros dentro de um ônibus. De consolo, fica a volta, que será de avião.
''Não vejo problemas nessas viagens. Já estamos acostumados. O problema são os jogos seguidos'', comenta o técnico Ênio Vecchi.
Já os jogadores têm opinião diferente. ''É terrivel. Muito mais cansativo, demorado e perigoso. É muito mais frequente acidentes nas estradas do que no céu'', observa o armador Hélio, que já passou por um susto enquanto viajava de ônibus, coincidentemente, para Uberlândia. ''Eu morava no Rio de Janeiro e jogava em Uberlândia. Tinha ido passar as férias em casa e durante a viagem de volta para Minas um pneu do ônibus estourou. Foi um susto e tanto'', revela o jogador.
Medo também é caso do pivô Fabião, de Brasília. Em 1998, quando defendia o Corinthians, ele viu o ônibus perder o freio na descida para o litoral paulista. ''Eu não consigo pregar o olho nas viagens'', conta.
O ''pinga-pinga'' pelas estradas não é exclusividade do Londrina/TIM. ''É uma maratona de viagens muito desgastantes. Além de termos que administrar os problemas da equipe temos que lidar com isso'', reclama o treinador do Franca, Daniel Abrão Wattfy.
Outra reclamação é quanto ao espaço. ''Não é o meu caso, mas o pessoal que é mais alto sofre. Os ônibus não são adaptados'', afirma Hélio.
Por isso, o COC/Ribeirão Preto decidiu aumentar o espaço dos assentos serão três por fileira, e não quatro.
O pouco conforto do ônibus semileito perdeu a importância para o Uniara após uma viagem, na volta de Brasília.
Em uma das paradas, os jogadores abusaram dos quitutes. Tiveram de ser levados ao hospital com diarréia. Para alguns, foram quatro dias de cama. Mesmo assim, o técnico Tom Zé prefere viajar de ônibus. ''Morro de medo de avião'', conta. (Com Agência Folha)

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