A desorganização da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que marcou e desmarcou diversas vezes a data e horário da última rodada do Campeonato Brasileiro acabou aumentando a tensão dos jogadores do Coritiba e do Paraná, que têm jogos decisivos. O Coritiba joga para ficar entre os quatro e o Paraná luta para fugir do rebaixamento.
Pela tabela inicial do campeonato, a rodada iria acontecer hoje. No entanto, para adequar a competição ao Vasco, que teve jogos atrasados em função Taça Libertadores e, agora, vai viajar para um amistoso nos Estados Unidos e para o Japão, onde disputa o Mundial Interclubes, a rodada já foi marcada para o dia 11, depois para o dia 12, voltou para o dia 10 e agora está confirmada para o dia 12.
Mesmo nos casos de atletas experientes, o vai-e-vem das datas acaba criando uma certa ‘‘agonia’’. ‘‘Todo jogador gosta de se preparar para uma partida sabendo quando e a que horas vai acontecer. Nessa indefinição, a gente fica sem saber se vai ter que treinar de manhã ou de tarde e isso é ruim até pelo lado psicológico’’, disse o meia Hélcio, do Paraná.
Já o atacante Arinélson afirmou que o melhor é que a partida tivesse sido marcada para hoje, como estava previamente acertada pela CBF. ‘‘Em jogos decisivos, como é o nosso, a gente quer resolver logo’’.
Para o técnico Márcio Araújo, a indefinição prejudica porque a equipe trabalha com base num planejamento, feito com vários dias de antecedência: ‘‘Quando a gente não sabe direito qual é esse tempo, a sequência de trabalha fica comprometida.’’
O gerente de futebol do tricolor, Oscar Yamato, reclama que reservas de vôos e de hotéis têm que ser marcadas e cancelas a toda hora. ‘‘É uma confusão sem tamanho acertar tudo isso’’.
Apesar de toda a tranquilidade trazida pela classificação antecipada ao playoff (mata-mata) do Brasileiro, os jogadores do Coritiba aguardam com uma certa dose de ‘‘expectativa’’ a partida contra o Inter, quinta-feira, em Curitiba. Ocupando a quinta posição da tabela, com 39 pontos ganhos, o Coxa precisa vencer o colorado gaúcho para ficar entre os quatro primeiros colocados do campeonato, garantindo assim o direito de disputar ‘‘em casa’’ dois dos três jogos eliminatórios (melhor de cinco pontos).
O zagueiro Flávio, convocado recentemente para a Seleção Brasileira, disse que a indecisão da CBF acabou interferindo de forma negativa no planejamento de trabalho da comissão técnica. ‘‘Fica difícil organizar as coisas quando você não sabe com certeza o dia que vai jogar. Nesse caso, acho que o profissionalismo tinha que prevalecer, acima de qualquer outro interesse. Os jogadores acabam sendo os maiores prejudicados. Na última semana, nossa preparação física teve que ser refeita umas três vezes’’.
Para o capitão da equipe, o também zagueiro Gélson Baresi, as atenções já estão quase totalmente voltadas para os jogos do playoff. ‘‘A partir do momento em que houver a definição dos oito finalistas, vamos nos concentrar exclusivamente na conquista desse objetivo. E aí, a tensão e a adrenalina vão aumentar’’.

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