Jogadores recebem tratamento vip
Apesar do rigor das leis e das regras religiosas, o povo do Oriente Médio tem um carinho especial para com os brasileiros. Todos são muito bem tratados e idolatrados, principalmente se fizerem bem seu dever dentro de campo.
A FOLHA esteve em maio em Doha, capital do Catar, e viu de perto esse tratamento ''vip'' em uma visita junto com jogadores brasileiros à sede da Federação de Futebol do Catar. Um bom exemplo é o londrinense Fábio Montezine. Há cinco anos por lá, o meia-atacante do Al Rayyan e da seleção do Catar é tratado como rei.
Os treinadores, então, são muito mais valorizados do que no Brasil. Não é à toa que os brasileiros que assumem clubes por lá ficam longos períodos. Abel Braga, Sebastião Lazzaroni, Caio Júnior e Paulo Autuori que o digam. ''Os jogadores adoram treinar com técnicos brasileiros. Por onde passei fui muito bem recebido. Os árabes são muito alegres e brincalhões, assim como nós. Sempre estão fazendo algo engraçado'', afirmou o técnico Herón Ferreira, que já passou por Arábia Saudita, Sudão, Egito e Catar. ''Olha eu trabalhei três anos e meio no Sudão e foi uma experiência fantástica, apesar de sempre mostrarem conflitos''.
Além dos ótimos salários, os petrodólares dos sheiks também oferecem todo o conforto para os estrageiros. Casas, carros, tudo da melhor qualidade. ''A maioria dos países árabes oferece uma excelente condição de vida para todos que chegam para trabalhar com o futebol'', aponta o treinador, que está sem clube.
O atacante Victor Simões, do Al Ahli, da Árabia Saudita endossa as palavras de Herón. ''A vantagem de jogar no Oriente Médio é realmente o lado financeiro e também a tranquilidade e conforto que você pode proporcionar para a família. Não tenho um ano na Arábia Saudita, mas minha esposa, filha e amigos são muito respeitados aqui'', ressaltou.
Cobrança
Outro fator bem diferente é a cobrança por parte do torcedor. Se no Brasil, alguns fanáticos chegam a ameaçar atletas, por lá, isso nem em sonho acontece. ''É claro que existe a cobrança por boas atuações e gols, mas o respeito é algo importantíssimo na cultura deste povo. Às vezes, o torcedor brasileiro e até em alguns de outros países exageram no modo de cobrar'', observou Simões, que já renovou seu contrato com o clube árabe. ''Estou muito satisfeito de jogar na Arábia Saudita, tanto que renovei com o Al-Ahli, por mais três anos. O campeonato nacional é muito competitivo e bem interessante. Todos os times se equivalem bastante, por isso é difícil ver um time disparar na tabela''.
Artilheiro do Al-Wahda, dos Emirados Árabes, o ex-corintiano Fernando Baiano também não tem do que reclamar. ''Vale a pena porque a vida aqui é bem tranquila. O país te oferece segurança, qualidade de vida e muita organização. Os jogos são tranquilos, sem pressão da torcida. A cidade (Abu Dhabi) é maravilhosa'', elogiou o companheiro do volante Magrão e do meia Hugo, todos comandados pelo técnico Tite. (T.M.)





