Jogadores querem que partidas em chiqueiros sejam suspensas
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quinta-feira, 13 de agosto de 1998
Ed Carlos Rocha 
Se Marcelinho Carioca saiu revoltado de campo na partida do Corinthians contra o Coritiba, na última quarta-feira à noite, em Curitiba, quando chamou o estádio de chiqueiro, devido ao alagamento do gramado, não menos indignados ficam os jogadores dos clubes do Paraná quando têm que enfrentar um campo assim. E eles ainda vão mais longe. Partidas assim têm que ser suspensas a partir do momento em que a chuva impede a prática do futebol, afirma o meia Claudinho, do Coritiba.
Para o jogador coxa, que enfrentou o Corinthians, quando caem fortes chuvas não há como se jogar porque o princípio básico do futebol não acontece. A bola não rola, não há como se fazer passes e fica difícil até acertar os chutes.
Kraw Penas/Arquivo FolhaPinheirão antes de Atlético x Paraná, em 16/02Segundo Claudinho, além de prejudicar a parte técnica do jogo, o campo alagado aumenta as chances de contusões. Ele explica que o jogador perde o apoio e fica vulnerável a choques com os adversários.
O atacante Sinval, do Coritiba, que entrou no final da partida contra o Corinthians, comenta que os interesses extracampos, como os das emissoras de televisão, não deviam imperar nesses casos, e as partidas tinham que ser suspensas. Não adianta continuar com uma partida em que só o que acontece são chutões e escorregões. Até a torcida se chateia com um jogo assim.
Para o zagueiro Ageu, do Paraná Clube, jogar em um campo alagado exige muito esforço do atleta em troca de pouco futebol. Chega quase a ser desumano você ficar se esforçando em dobro para apresentar à torcida um futebol feio e quase sempre sem nenhuma emoção.
Albari RosaMarcelinho na quarta à noite: revolta em campoO mesmo pensamento tem o atacante Tuta, do Atlético Paranaense. Partida em campo cheio dágua não pode acontecer porque o jogo fica muito feio. Você treina a semana inteira para executar algumas jogadas e aí, na hora, o que acontece é um festival de chutões sem rumo.
Os anseios dos jogadores em não disputar partidas com chuvas muito fortes para preservar a parte técnica dos jogos e se preservar fisicamente esbarra na falta de organização do futebol brasileiro. Segundo o presidente da Associação Paranaense de Árbitros, Nelson Orlando Lehmkuhl, por falta de calendário, a ordem é sempre para que o árbitro só suspenda a partida em casos extremos - ou seja, no caso de chuvas, quando o campo estiver totalmente impraticável.
O conceito do que é impraticável, no entanto, faz poucas partidas serem suspensas. Para Lehmkuhl, no segundo tempo de Coritiba x Corinthians, quando caiu a chuva forte, o campo não chegou a ficar impraticável, apesar da bola não rolar. Impraticável é quando poças se formam em todo o piso e não só em algumas partes.
Para a partida ser suspensa, segundo José Dias, do departamento técnico da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o regulamento prevê que o árbitro tem que esperar 30 minutos para o motivo da parada - no caso, que a chuva termine. Se isso não acontecer, de acordo com o regulamento, a partida deverá ser complementada no dia seguinte, independente de quando tempo ela tenha sido transcorrida. Caso no dia seguinte o motivo da paralisação da partida permaneça, uma nova data é marcada.


