Jogadores propõem receber 'por fora' para ganhar mais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de agosto de 2000
Ed Carlos Rocha e Marcos Freitas De Curitiba 
Na busca por uma vantagem salarial ou por pagar menos impostos, clubes e jogadores parecem não ter dificuldades em chegar a um acordo no acerto por fora. Quando não é o clube que propõe, o próprio jogador se encarrega de fomentar o esquema.
Já vi casos em que o clube ofereceu meio a meio, ou seja, 50% declarados em carteira e 50% não - conta um jogador do Atlético, que não quer se identificar.
Às vezes o jogador quer receber por fora porque acha que ganha mais assim - afirma o ex-jogador e hoje procurador de vários atletas, Ademir Alcântara.
Segundo Alcântara, que hoje representa os interesses de jogadores como Alex, da Seleção Brasileira: Reginaldo Araújo, do Coritiba; Claudiomiro, do Santos e Flávio, Monterrey, do México, na hora de negociar os salários muitos atletas questionam a possibilidade de receber por fora para receber mais.
É que o clube, muitas vezes, para pagar menos encargos trabalhistas, oferece um salário um pouco maior em troca de um registro em carteira inferior.
Isso acaba atraindo o jogador. Mas ele tem que ter a consciência de que isso é arriscado. Se houver uma lesão grave e ficar fora por muito tempo, o clube pode querer pagar só o que é oficial - diz Alcântara.
Para o ex-jogador, o atleta deve procurar colocar tudo no preto no branco.
Não adianta ficar pensando no imediatismo, de fazer logo um bom contrato e, para isso, se submeter a qualquer coisa. Tem que pensar na carreira em termos de futuro e fazer tudo de acordo com a lei para não se prejudicar mais tarde.
De acordo com Ademir, hoje a maioria dos clubes brasileiros já está profissionalizada em relação a isso e evitam os contratos obscuros.
No entanto, um jovem jogador do Coritiba tem versão diferente.
Quando cheguei por aqui a coisa já estava assim e não vou ser bobo de discordar; afinal, isso não era novidade para mim e eu sei que todo mundo está no esquema. Sei que isto não justifica, mas o exemplo deveria vir de cima - afirma o jogador, também preferindo o anonimato.


