São Paulo, 04 (AE) - Um dos maiores problemas que todo jogador de futebol encontra é como pendurar as chuteiras sem perder a dignidade. A maioria dos atletas não consegue administrar os ganhos adquiridos na curta carreira profissional e quando para de jogar tem problemas para manter o mesmo padrão de vida que tinha nos tempos de ídolo.
Para mudar esta situação, o ex-jogador Sócrates encabeça o Projeto Sempre Campeão, em parceria com a BrasilPrev Previdência Privada, o Serviço de Apoio às Pequenas e Micro Empresas (Sebrae) e o Sindicato de Atletas Profissionais do Estado de São Paulo. Trata-se de um plano de previdência privada voltado para os esportistas com o objetivo de criar condições para cada atleta iniciar uma nova profissão, montar seu próprio negócio ou obter uma renda mínima garantida no futuro.
"Esta é a minha grande vitória como esportista", comemora Sócrates, que começou a elaborar o projeto há 20 anos. Ele cansou de ver ex-companheiros e ex-adversários perder tudo o que ganharam e tendo de apelar para os amigos para sobreviver. "O Garrincha é o maior exemplo de um jogador que não soube administrar sua carreira", destaca Sócrates. Quando parou de jogar, Sócrates fez uma espécie de previdência própria: com o dinheiro que tinha guardado, investiu nos estudos de especialização em medicina para poder seguir seu trabalho em outra profissão. Hoje, ele voltou ao futebol, é o técnico do Cabo Frio Futebol Clube.
O presidente do Sindicato de Atletas Profissionais do Estado de São Paulo, Rinaldo Martorelli, lembra que "não existe nenhum jogador aposentado no país". Os atletas contribuem como qualquer cidadão comum. Para conseguir a aposentadoria, precisaram do tempo mínimo de 30 anos de contribuição com a previdência, mas a carreira de um jogador profissional dura em média 15 anos.
Quando páram de jogar, alguns viram técnicos de futebol, mas a maioria acaba tentando a sorte em outras atividades. Pelo plano da BrasilPrev, os esportistas poderão contribuir com o valor mínimo de R$ 50,00 mensais pelo tempo que quiserem. Um jogador em início de carreira que contribuir com R$ 1 mil por mês durante dez anos, terá assegurada uma renda mensal de R$ 815,00 por toda a vida a partir dos 30 anos.
O plano permite ao contribuinte que quiser abrir um negócio obter assessoria do Sebrae. Nele não está incluída indenização por invalidez.
Ele já está à disposição de atletas, técnicos, árbitros e demais profissionais ligados ao esporte em todas as agências do Banco do Brasil.
Nas próximas semanas, Sócrates irá visitar os clubes para dar palestras aos jogadores sobre a importância de planejar a vida quando o futebol deixar de ser o ganha-pão. O Corinthians será o primeiro a ser visitado, seguido por São Paulo e Palmeiras.
OPÇÓES DE MERCADO - O plano de previdência privada voltado para os atletas profissionais segue o exemplo de modelos aplicados no futebol europeu e na Associação de Tenistas Profissionais (ATP). Ele tem em geral as mesmas características de outros planos tradicionais, com a vantagem do atleta poder contribuir quando puder e com o valor que achar necessário.
Dessa forma, ele pode se aposentar quando quiser, garantido uma renda vitalícia ou resgatando o dinheiro quando for começar uma nova carreira. A participação do Sebrae orientado na implantação de um negócio próprio e outro diferencial. "Esta orientação é muito importante porque todo o patrimônio que o atleta conseguiu contruir ao longo de sua carreira poderá ir embora em dois investimentos mal feitos", destaca Odair Lucietto, presidente da BrasilPrev.
Existe no mercado três tipos de plano de previdência privada. O tradicional garante o rendimento mínimo de 6% ao ano além da correção pelo IGP-M. O prazo de carência para resgate é de 12 meses. Além disso, o lucro obtido pela empresa com a aplicação do dinheiro dos contribuintes é repassado em até 75%. Neste modelo se inclui o plano especial para os atletas.
O mercado apresenta também o Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi), e o Plano Gerador de Benefícios Líquidos (PGBL), nos quais a principal diferença em relação ao modelo tradicional é que os clientes podem escolher onde o dinheiro deve ser aplicado. No entanto, não há a garantia de rendimento mínimo de 6% ao ano. Ao contrário, pode-se ganhar mais ou menos, dependendo do sucesso ou fracasso da aplicação. Isto porque todo o lucro obtido é repassado aos clientes.
Os especialistas recomendam que os jogadores analisem as opções de mercado antes de entrar para algum plano de previdência privada. O mais importante, no entanto, é buscar algum modo de assegurar uma renda futura para não ter uma queda brusca no seu padrão de vida. "O atleta tem de se conscientizar da necessidade de uma reprofissionalização quando pára de jogar para continuar sendo uma pessoa produtiva para a sociedade", destaca o ex-jogador Sócrates.

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