São Paulo - Os jogadores que fazem parte do movimento Bom Senso FC, que cobra melhorias no futebol brasileiro, admitiram que estão preparados para reduzir salários, se for necessário, para a implantação do modelo de calendário que será proposto à CBF. Mas em contrapartida exigem diretorias mais profissionais.
Em seminário em São Paulo na tarde de hoje, os atletas afirmaram que aceitariam diminuir os seus salários em pró da saúde financeira dos clubes ao anunciarem de forma oficial as propostas para o fair play financeiro.
"Todo mundo vai ter de fazer sacrifícios. Corremos esse risco, de diminuir os salários, mas não vemos problemas. No primeiro momento, estamos preparados para isso. Mas quem dita o salário não é o jogador, e sim o mercado", disse o goleiro Fernando Prass, do Palmeiras.
Para eles, a redução salarial teria aceitação dos jogadores se o mercado se enquadrasse a um novo cenário, com pagamentos compatíveis à realidade dos clubes. No entanto, foi descartada a hipótese de tetos salariais, como acontece na NBA, por exemplo.
"O mercado vai ditar quanto vamos ganhar. Para a melhoria de todos, é melhor fazer sacrifícios, não só dos jogadores. Por isso, a gente bate na tecla por gestões mais profissionais sem prejuízos", completou o jogador do Palmeiras.
"A questão é se adequar e se preparar para gastar o que você tem. Inflacionar não vai resolver, porque se o atleta não está recebendo, vai virar bola de neve. Isso está acabando com o futebol", completou o goleiro Roberto, da Ponte Preta.
Órgão regulador
Entre outras propostas apresentadas pelos jogadores, está a criação de uma agência reguladora das dívidas dos clubes. Para eles, o órgão seria um braço da CBF e serviria para garantir o cumprimento dos contratos de trabalho, padronizar demonstrações financeiras, entre outras ações.
Essa entidade seria formada por membros do governo, da CBF e também dos clubes com um período de criação de um ano e meio e início das atividades a partir de 2016. Os custos deste órgão seriam cerca de R$ 3 milhões, com a ideia de ser custeado pelos próprios participantes.
Chamado de "Jogo Limpo Financeiro", o projeto do Bom Senso FC propõe um controle de dívidas dos clubes brasileiros. Os times teriam uma carência de até 5 anos para aderir ao novo modelo.
A ideia é que os clubes não poderiam ter déficit superior a 10% nos dois primeiros anos e, nas duas temporadas seguintes, 5%. Somente a partir daí, o deficit seria proibido e as equipes que não cumprissem o acordo seriam impedidas até de jogar torneios nacionais.

mockup