São Paulo - Ano após ano, as críticas à maratona de jogos e ao pouco tempo de preparação dos clubes se tornaram cada vez mais comuns no futebol brasileiro, sem quem ninguém fizesse nada para mudar isso. Mas, nesta terça-feira, uma comissão formada por diversos jogadores dos principais times do Brasil decidiu agir de forma organizada para discutir o calendário do ano que vem, lançado oficialmente na última semana. Pela programação, graças à paralisação para a Copa do Mundo no meio do ano, a CBF antecipou o início dos campeonatos estaduais para 12 de janeiro e, com isso, reduziu ainda mais o período para a pré-temporada.
Insatisfeitos com o novo calendário, 75 jogadores se reuniram e iniciaram um movimento que pretende discutir mudanças. Esta comissão, que conta com nomes consagrados do futebol brasileiro, como Rogério Ceni, Alex, Alexandre Pato, Barcos, Dedé, Deivid, Dida, Juninho Pernambucano, Zé Roberto e Valdivia, entre outros, reivindicou uma reunião com a CBF na tentativa de alterar uma programação da entidade, que prevê apenas cinco dias de pré-temporada em 2014, se for cumprida a lei trabalhista que determina 30 dias de férias.
"Nós, atletas profissionais de futebol, com representantes em clubes das séries A e B do Campeonato Brasileiro, viemos, de forma oficial, demonstrar nossa preocupação com relação ao calendário de jogos divulgado na última sexta-feira pela Confederação Brasileira de Futebol para o ano de 2014. Devido ao curto período de preparação proposto e ao elevado número de jogos em sequência, decidimos nos reunir, de forma inédita e independente, para discutir melhorias em prol do futebol e da qualidade do espetáculo apresentado por nós a milhões de torcedores", aponta a nota oficial divulgada nesta terça-feira pelo movimento.
Nesta reunião pedida com a CBF, os jogadores estariam dispostos a iniciar uma discussão que basearia a mudança no futebol brasileiro em cinco pontos: diminuir o número de datas no calendário, definir um número máximo de partidas a serem realizadas por mês, discutir o período de férias, estabelecer um tempo mínimo de pré-temporada e criar uma espécie de "fair-play financeiro", como já existe na Europa, onde os clubes precisam deixar as contas em dia, sem atrasos salariais no elenco, para poder disputar torneios continentais.
"Queremos ser uma parte mais efetiva deste movimento que se faz extremamente necessário e, para tanto, solicitamos uma reunião com a entidade que administra o futebol brasileiro (CBF) para tratar de questões propositivas e de comum interesse. Estamos convictos de que dar esse primeiro passo significa caminhar na direção do profissionalismo, da transparência e da busca pela excelência no futebol de alto rendimento praticado no Brasil", argumentam os jogadores, unidos neste movimento por mudanças no futebol brasileiro.

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