Jogadores confirmam abatimento de Ronaldo
Konigstein - Doeu em Ronaldo a substituição por Robinho no segundo tempo contra a Croácia. Vários jogadores confirmaram ontem o abatimento do Fenômeno. Ainda no vestiário do Estádio Olímpico de Berlim, depois da vitória por 1 a 0, na estréia brasileira na Copa, o capitão Cafu assumiu a responsabilidade de reanimar o camisa 9. O lateral abraçou o atacante e disse que falava em nome de todos os jogadores:
''Eu disse: 'Cara, você é o nosso carro-chefe, o nosso presidente, o nosso comandante. Você vai na frente e a gente vai atrás. Não se abata'. Ninguém gosta de ser substituído. Nem eu gosto. É normal. Mas ficar chateado é bom. É sinal de que você está com vontade'', afirmou Cafu, ao deixar a concentração ontem pela manhã para almoçar com Luisão, Cris e Fred no dia de folga em öKonigstein.
O capitão da seleção lembrou que, por causa da badalação em torno do quadrado mágico, criou-se, não só no Brasil, uma expectativa muito grande para este primeiro jogo. Os jogadores sabiam que encontrariam dificuldade. Mas, no fundo, contou o capitão, todo mundo acreditava numa vitória mais larga e numa atuação mais convincente contra a Croácia. Até Ronaldo, que está a três gols de superar o recorde do ex-artilheiro alemão Muller em Copas do Mundo. ''Tenho certeza de que o Ronaldo vai entrar muito bem contra a Austrália, cheio de vontade e arrebentar'', disse Cafu.
No início da tarde, por volta de 13 horas, o Fenômeno caminhava sozinho pelos jardins do Grande Hotel Kempinski, sem dar atenção para os chamados de crianças alemães ao longe, lá fora. Antes, de madrugada, depois da chegada de Berlim, às 3h15, sentou-se para comer com o grupo e conversou com alguns companheiros de concentração.
Por determinação do preparador físico Moraci Sant'Anna, para reposição do ''glicogênio muscular'', com carboidratos, o hotel serviu três tipos de massas aos jogadores. Ronaldo comeu pouco. Num papo depois do jantar, antes de dormir, disse que não planejava deixar a concentração na folga. Mudou de idéia e saiu, às 15 horas, no banco de trás de um Volkswagen Phaeton azul (não demoraria a voltar, às 19 horas já estava no hotel). Com dor de cabeça, Ronaldo teria sido atendido ontem em uma clínica.
O craque parecia amuado quando seu carro atravessou devagar a pequena barreira de fãs à porta do hotel. Ao contrário de Juan, o primeiro a deixar a concentração, às 10 horas, ou de Cicinho, que saiu sorridente, em seguida, para fazer compras num shopping (''Adoro comprar roupas'') e almoçar com seu empresário, Fernando Benedini. Ou ainda de Cris, Luisão, Fred e do próprio Cafu, que saíram juntos para almoçar um linguine com lagosta encomendado pelo lateral do Milan a um restaurante italiano de Frankfurt.
O discurso de todos era a favor de Ronaldo e de satisfação com o 1 a 0 da estréia, apesar da atuação geral abaixo do esperado. As frases pareciam ensaiadas. Até Moraci falou do Fenômeno: ''Ronaldo não ficou chateado com a substituição, mas com seu desempenho, que achou que poderia ter sido melhor'', interpretou o preparador físico.
''É preciso dar um desconto, porque Ronaldo vem de longo tempo parado no Real Madrid e, mesmo na temporada, não conseguiu ter uma sequência grande de jogos. Mas vai desencantar e marcar os gols que todo mundo espera.'' Tomara. (Agência O Globo)





