Munique - Agora é de verdade. Resta apenas saber se também será o Ronaldo real que vai completar hoje, contra a Austrália, a marca de cem partidas realizadas pela seleção principal. Por um erro de contagem, a CBF informou que o atacante teria completado a marca contra a Croácia. Mas a entidade contabilizou de forma indevida um jogo da seleção olímpica.
Assim, Ronaldo, 29 anos, será o décimo brasileiro a ter cem partidas pela seleção em um momento que nada lembra a quase totalidade da sua trajetória com a camisa amarela. Com o apelido de ''presidente'' na seleção, Ronaldo deixou de ser figura incontestável dentro do grupo. Depois da sua atuação desastrosa contra a Croácia, jogadores como Kaká e Emerson disseram que ele precisa se movimentar mais, o que causou mal-estar no grupo.
Outra marca história será a do lateral e capitão Cafu. Ele fará hoje sua 18 partida pela seleção brasileira em Copas do Mundo. Igualará um recorde que pertence a Dunga e Taffarel, jogadores que mais vezes vestiram a camisa amarela em Mundiais.
Cafu, 36, agregará contra a Austrália mais uma marca expressiva em seu currículo de 16 anos de seleção. Mas nem o novo recorde faz com que seus antecessores deixem de criticá-lo. Ouvidos pela reportagem, laterais que defenderam a seleção reconhecem o histórico de Cafu na equipe nacional. Mas não enxergam nele um jogador de técnica apurada.
Djalma Santos, lateral-direito do Brasil nas Copas de 1954, 1958, 1962 e 1966, reconhece o vigor físico de Cafu, mas vê em Cicinho um jogador de maior habilidade. ''Acho que só a experiência faz com que o Cafu siga como titular. O Cicinho já deveria ser preparado para atuar nas próximas Copas'', diz Djalma, campeão em 1958 e 1962 e reconhecido como um dos melhores e mais completos laterais da história do futebol mundial.
''Eu era um jogador de muito vigor físico, como o Cafu. Mas não acho que dê para comparar nosso estilo'', esquiva-se o ex-jogador, que é humilde ao eleger o melhor lateral-direito da história do futebol brasileiro. ''Para mim, foi o Carlos Alberto Torres...e o Cafu, também.''
Torres, capitão do tri no México, também acha que Cafu fica abaixo se for levada em conta a condição técnica. ''Ele tem um físico muito bom, exerce grande liderança, mas tivemos outros laterais com mais técnica do que ele. Ele não tem o improviso do jogador brasileiro'', completou.
O ex-corintiano Édson acha que Cafu só se firmou na posição pela carência que amarga o setor nos últimos 15 anos. ''Mas ele merece todos os elogios pela pessoa que é e pela persistencia'', diz o ex-jogador. ''Na minha época havia mais no mínimo três laterais em condições de serem titulares da seleção. Tinha o Leandro, o Zé Teodoro, o Jorginho...hoje o Cafu praticamente não tem concorrência'', completa.

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