Jogadores abandonam treinos para receber metade do salário
Mauricio Della Barba
Um atraso no pagamento dos salários dos jogadores causou uma paralisação das atividades do time do Londrina nas vésperas do primeiro jogo do playoff que decidirá o título da Série A-2 do Campeonato (segunda divisão) com a Portuguesa, previsto para o próximo domingo, no Estádio do Café. Os atletas decidiram não participar dos treinos de terça-feira à tarde e de ontem pela manhã. O motivo seria o atraso de 15 dias de metade do salário referente ao mês de abril, o equivalente a R$ 15 mil no total. A primeira metade do salário foi paga no começo de maio.
A paralisação foi somente dos jogadores. O técnico Val de Mello e a comissão técnica do Londrina ficaram de fora do caso. O vice-presidente do Londrina, Célio Guergoleto, disse que a paralisação dos jogadores foi inoportuna. Sei que temos o dever de pagar e eles, o direito de receber. O pagamento estava programado para terça-feira, mas não recebi o dinheiro de um devedor do Londrina, explicou.
Guergoleto disse que não entende a revolta dos jogadores. Sempre pagamos nossas obrigações em dia. Todos os jogadores sabem de nossa luta para levantar o Londrina. Faltou consideração por parte deles, disse. Segundo o dirigente o pagamento dos jogadores deverá ser feito amanhã.
Guergoleto chegou a ameaçar a utilização de jogadores juniores no primeiro jogo da final, caso a paralisação continuasse. Se isso acontecesse, o Londrina provavelmente perderia os pontos da partida, pois não tem todos os juniores registrados como profissionais junto à Federação Paranaense de Futebol.
Ontem mesmo, pela tarde, os atletas voltaram a treinar, participando do coletivo no Estádio do Café. O caso, parece, foi de falta de comunicação entre diretoria e equipe técnica. O zagueiro Ivanildo tratou de esfriar o problema. Não fizemos greve. Foi apenas um mal-entendido. Decidimos não treinar pela manhã, estávamos muito nervosos e poderíamos estragar o ambiente de união da equipe, declarou. O nervosismo dos jogadores foi causado por causa do atraso do dinheiro. Segundo Ivanildo, os atletas não sabiam do problema de Guergoletto com devedores do Londrina. O zagueiro ainda afirmou que o problema já está resolvido e garantiu empenho na decisão contra a Portuguesa: Temos responsabilidade desde que assinamos o contrato com o clube. E isso, podem ter certeza, continuará.
Apesar dos contratempos, o clima não chegou a atrapalhar o coletivo de Val de Mello. O treino serviu para a realização de experiências no ataque e no meio-de-campo. Val não vai poder contar com o meia Jefferson - expulso na última partida em Prudentópolis - e com o atacante Fábio Nascimento, operado do joelho ontem à noite. O zagueiro Freitas e o meia Eraldo, depois de cumprirem suspensão, voltam a reforçar a equipe.
Com os desfalques, Val fez duas experiências. Colocou Lima no lugar de Fábio, e recuou Tião para a zaga, para fazer o papel de Jefferson. Depois tirou Lima da equipe, avançou Eraldo ao lado de Aléssio e colocou o júnior Renato no meio-de-campo. As duas formas agradaram ao técnico do Londrina, que pretende realizar mais alguns testes na manhã de hoje e na sexta-feira.Dirigente alega que clube não recebeu dívidas e critica o elenco: Faltou consideração por parte deles
Arquivo FolhaFora de sintoniaO zagueiro Ivanildo: Não treinamos porque estávamos nervosos e podíamos estragar o ambiente de união





