Jogadoras driblam problemas
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de novembro de 2008
Julio Cesar Lima<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Defender uma equipe de futebol feminino em um país onde somente agora a modalidade começa a ganhar contornos profissionais, não é uma tarefa fácil. Conciliar os jogos, treinos e viagens com o trabalho torna a prática do esporte complicada e exige criatividade, e em alguns casos sorte, da atleta, para que consiga algum acordo com a empresa e possa participar das atividades.
Equipes como o Novo Mundo, Colombo, Jaborá e outros clubes paranaenses que têm futebol feminino convivem com esses problemas e quando enfrentam adversárias de outros estados, como São Paulo e Santa Catarina, onde há maior suporte financeiro, essa diferença se traduz dentro de campo.
Na opinião do técnico Hamilton Rocha, do Novo Mundo, que perdeu a vaga para terceira fase da Copa do Brasil para o Kindermann, de Caçador (SC), clube cuja equipe toda é contratada e recebe salário, não há planejamento que resista a esses obstáculos.
Nós realizamos treinos às quartas-feiras (noite), sábado (tarde) e nos reunimos para jogar, mas muitas vezes não podemos contar com todas as atletas e isso dificulta muito, tanto na preparação física como entrosamento, afirmou o treinador.
Há duas semanas, o time viajou para Caçador desfalcado de quatro atletas consideradas importantes para o esquema de jogo, e na semana anterior já havia jogado sem três titulares, em Caxias do Sul.
A volante Daiane e a goleira Cíntia Grilo trabalham na Copyline, empresa de copiadoras comandada pelo empresário Antônio Portella, fã do futebol feminino. Para ele, que libera as atletas para seus compromissos esportivos, é uma maneira de incentivar o esporte.
A gente conhece as dificuldades enfrentadas, mas acredito que vale a pena, é uma forma de ajudar. Além disso, tenho algumas despesas com a contratação de substitutas para elas, mas o esforço é recompensado pois gostamos de esportes, declarou.
Na opinião de Daiane, essa relação amistosa é positiva. Tivemos sorte, pois algumas amigas nossas não conseguem isso. Uma alternativa seria a profissionalização dos clubes, para que pudéssemos ter uma dedicação integral, afrmou.


