Jogadoras da seleção têm que falar mais
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segunda-feira, 11 de setembro de 2000
Agência Estado De Sydney, Austrália 
As mulheres têm a fama de falar muito. No caso da seleção brasileira feminina de vôlei, uma das preocupações do técnico Bernardo Rezende, o Bernardinho, é justamente com o fato de ter um grupo calado em quadra. Para ele é fundamental a comunicação entre as atletas para a melhora do desempenho do time em Sydney.
No jogo-treino realizado ontem no Instituto Australiano de Esportes, em Canberra, contra a seleção australiana, Bernardinho voltou a pedir mais conversa durante a partida em que o Brasil venceu por 5 sets a 0. As parciais da partida foram de 25/22, 25/14, 25/13, 25/17 e 25/23. As jogadoras ficam constrangidas em falar, em demonstrar liderança em quadra, adverte o treinador.
Mas este comando é necessário, deve ser dividido porque na quadra todas são iguais. A falta de comunicação, na verdade, é apenas mais um sintoma da juventude do time, que tem apenas três jogadoras da equipe que conquistou a medalha de bronze na Olimpíada de Atlanta, há quatro anos: Fofão, Virna e Leila, as três reservas nos Jogos do Centenário. Com aquela seleção, Bernardinho não se preocupava com lideranças pois tinha jogadoras falantes como Márcia Fu, Ana Moser e Fernando Venturini.
Na geração atual, a única que desempenha o papel de comandante é a atacante Virna, que ontem voltou a jogar depois de mais de um mês afastada por causa de uma inflamação num osso do pé direito. A jogadora sentiu um pouco de falta de ritmo, mas demonstrou bom condicionamento físico e a tão desejada comunicação nos dois sets e meio em que esteve em quadra.
Falo bastante porque é preciso muitas vezes arrumar a casa, brinca Virna, que tem o respeito das atletas mais novas. Não tenho filhas tão crescidas assim, mas sempre acabo sendo uma mãezona para a moçada. A atleta potiguar, de 29 anos, gostou de seu desempenho. Ela gostaria, porém, de ter ficado mais tempo no jogo.
O Bernardo segura as rédeas, temendo que eu volte a sentir o problema, observa a atacante, que passou pouco antes da partida por uma sessão de acupuntura. Estou me sentindo confiante e certa de que disputarei bem a Olimpíada. A última atuação de Virna havia sido no dia 6 de agosto, em Macau, na vitória por 3 a 2 diante da China pela primeira etapa do Grand Prix Mundial.
Depois disso, ela ficou em tratamento rigoroso, tendo andado de muleta durante uma semana. Na preparação para a Olimpíada de Sydney, Virna fez treinos especiais.


