A pivô/ala Eliane, 27 anos, foi a primeira jogadora do time de futsal da Unopar/FEL/Sercomtel a se transferir para um time europeu. No começo do ano ela recebeu proposta do Preci, da Província de Perugia, na Itália, arrumou as malas e partiu em busca de um sonho. ''Quero ajudar a minha família por meio do esporte e também servir como ponte para os meus irmãos poderem ir trabalhar ou estudar na Itália'', disse a jogadora, durante um bate-papo com a reportagem da FOLHA, na semana passada, no Ginásio da Unopar.
Eliane está passando as férias com a família, em Campo Mourão, e veio a Londrina ''matar a saudade'' das companheiras de clube, com as quais foi campeã da Liga Nacional Feminina, em 2006. ''Fiz muitos amigos aqui. Dá uma saudade danada e também sinto falta de um futsal bem jogado, como esse que você está vendo aí'', afirmou, apontando para as jogadoras da Unopar em quadra, treinando para um jogo do Paranaense.
Após terminar, no ano passado, a Liga Futsal como vice-campeã, Eliane participou de um teste em Santa Catarina, onde estavam presentes o técnico do Preci, Rafaeli Basile, e seu pai Damiano, que é dono do clube. ''Observaram dezenas de meninas e levaram mais de dez para montar uma nova equipe, totalmente formada por brasileiras. Eles querem brigar pelo título do próximo Campeonato Italiano, que inicia em setembro'', contou.
A condição para a aprovação no teste era que fossem ''boas de bola'' mas também descendentes de italianos - para pegarem dupla cidadania. Com seu sobrenome Dalla Villa, Eliane não teve problemas e embarcou.
Em março disputou seu primeiro torneio, na região de Perugia, e constatou que o nível do futsal feminino lá ainda é ruim. Depois assistiu à Liga, disputada sempre em Roma, ao longo de uma semana (nos mesmos moldes da Taça Brasil), e verificou que há somente quatro equipes de nível mais alto, entre elas a Lazio e o Pescara, que se sagrou campeão. ''Lá nas cidades pequenas as jogadoras italianas são amadoras e muito mais velhas que no nosso futsal'', contou Eliane, para em seguida desabafar: ''Lá é bom só a parte financeira, mas não tem melhor lugar no mundo para jogar e morar do que o Brasil''.
Eliane confidenciou que pretende jogar duas temporadas inteiras na Itália e paralelamente cursar uma pós-graduação ou mestrado ''para quem sabe um dia'' ser preparadora física, treinadora ou professora. ''Eu sei que não vou poder jogar muitos anos mais, então preciso pensar em outra atividade. Consegui rápido a minha cidadania e estou providenciando a dos meus irmãos, que também vão para lá'', antecipou.
Esforçada, Eliane já demonstrou muita garra na carreira. Desde nova praticou simultaneamente o atletismo e o futsal, atividades que conseguiu levar juntas até os 24 anos, disputando as duas em alto rendimento. Até se lesionar, em 2005, praticava todas as manhãs na pista da UEL o heptatlo - modalidade exigente que combina sete provas, entre elas o arremesso de peso e de dardo. À tarde, trabalhava sob a disciplina rigorosa da técnica Vanda Sanches e à noite pegava os livros para ir estudar Educação Física na Unopar.

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