Um jogador de futebol foi preso ontem pela Polícia Federal (PF) de Londrina quando tentava tirar passaporte usando documentos com nome e data de nascimento adulterados. O atleta, suspeito de aplicar o ''golpe do gato'', havia sido vendido pela Portuguesa Londrinense para um time da Suíça.
A prisão aconteceu na manhã de ontem, dentro da sede da PF. De acordo com o delegado-chefe Sandro Viana dos Santos, o jogador se apresentou como Raimundo Azevedo da Conceição, 23 anos, mas os funcionários desconfiaram dos documentos estarem novos. ''Ele chegou a argumentar que havia pedido segunda via dos documentos, mas contactamos o cartório da cidade (Amargosa BA) que constava na certidão de nascimento e descobrimos que o registro não existia'', explicou Santos.
O nome verdadeiro do atleta é José Raimundo Azevedo da Conceição, mais conhecido no futebol com Tita, e a data de nascimento dele é 20 de maio de 1978 e não 1981, como constava na certidão. Os demais documentos Registro Geral de Identidade (RG) e Cadastro Nacional de Pessoa Física (CPF) também apresentavam dados alterados. ''Descobrimos que até a Maternidade Santa Clara, apontada na certidão, não existe lá em Amargosa. Ele foi preso e vai responder processo por uso de documento ilegal e falsidade ideológica'', afirmou o delegado-chefe.
Entre a documentação apreendida estava ainda a carteira de trabalho do jogador, onde aparecia registros no Londrina Esporte Clube (LEC) e na Lusinha, ambos times locais. O presidente da Portuguesa Londrinense, Hélio Camargo, que também é advogado, tentou liberar o jogador ontem mesmo, mas esbarrou em uma exigência do Ministério Público Federal. A promotoria pediu uma certidão negativa na comarca da cidade baiana, referente ao nome falso do jogador. ''Só faltou este documento. O promotor pediu a certidão mais por precaução, para ter certeza de que ele não responde por nada lá na Bahia'', afirmou.
Segundo Camargoe, a diretoria do clube não tinha conhecimento da ilegalidade dos documentos. ''Ele mesmo assumiu a responsabilidade, isentando o clube e a diretoria'', disse. O jogador deve ser liberado ainda hoje.
O ''golpe do gato'' serve para que os atletas consigam prolongar a vida profissional ou para integrar equipes jovens em início de carreira (como as Sub-17 e Sub-20). O jogador foi vendido para o Lustgartenstk, do futebol suíço, (valor da negociação não foi divulgado) e já estava com a passagem aérea comprada (embarcaria no próximo dia 13). A pena prevista para o uso de documentos ilegais varia de um a cinco anos de reclusão. (Colaborou Guilherme Gouveia)

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