Araçatuba, SP, 28 (AE) - O atacante Júlio César, da Matonense, está preso na carceragem do plantão policial de Araçatuba desde as 19h30 de domingo, quando foi detido sob a acusação de tentativa de homicídio e porte ilegal de arma. Com um revólver calibre 38, Júlio César, de 23 anos, teria feito um disparo que atingiu de raspão a perna do estudante Roberto de Carvalho, 15 anos. Até as 16h desta segunda-feira, o advogado do atleta, Jarbas Borges Rister, aguardava que o juiz da 3ª Vara Criminal de Araçatuba despachasse um pedido de liberdade provisória para Júlio César. O advogado disse que o jogador foi provocado pelo estudante e atirou para se defender. "O rapaz estava com quatro garrafas de cerveja nas mãos e lançou três delas contra o jogador", disse Rister.
A confusão começou dentro do estádio Adhemar de Barros, após a derrota da Matonense para o Araçatuba por 4 a 1. Júlio César alega que estava indo para o vestiário fazer exame antidoping quando o estudante arrancou um boné de sua cabeça. Para reaver o boné, o jogador teria ameaçado Roberto, encostando a arma em sua barriga. O revólver, que estava carregado com cinco projéteis, era trazido por Julio César dentro de uma mochila.
Já fora do estádio, Júlio César foi abordado novamente por Roberto, que a esta altura já estaria armado com as garrafas. Segundo o jogador, o estudante passou a xingá-lo de "macaco" e "preto" e, na sequência, começou a arremessar as garrafas em sua direção. Foi nesse momento que Júlio César tirou novamente o revólver da mochila e fez um disparo na direção do estudante. O jogador garante, no entanto, que atirou para o chão com a intenção somente de se defender.
Ele foi preso pela Polícia Militar e levado para o plantão policial de Araçatuba, onde a delegada Ana Lúcia de Souza Marques o autuou em flagrante. A delegada não permitiu que o jogador, cujo nome completo é Júlio César Antônio de Souza, pagasse fiança para ficar em liberdade porque a arma dele estava com a numeração raspada.
O estudante Roberto de Carvalho também denunciou que o gerente de futebol da Matonense, Pedro Leonardo Filho, lhe ofereceu dinheiro para que a ocorrência não fosse registrada. Leonardo foi ouvido pela delegada e negou a acusação.

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