O Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) vai apurar o caso de falsidade ideológica envolvendo o atleta do Atlético Paranaense Cleonício dos Santos Silva, que se fez passar por Renato Albuquerque de Lima. O presidente do TJD, Ítalo Tanaka Júnior, marcou para amanhã, às 16 horas, o depoimento de ‘‘Renato’’, do presidente em exercício do Atlético, Ademir Adur, e do presidente do Foz do Iguaçu - clube de origem do jogador -, Luis Obregon.
‘‘Pelo o que já foi divulgado, existem indícios de irregularidade, como, por exemplo, a falsificação de documentos. Já expedimos ofício à Federação Paranaense e à CBF para que nos enviem os documentos do Cleonício e do Renato’’, disse Tanaka.
A história envolvendo a dupla identidade do jogador é repleta de controvérsias. Nos registros da FPF, Renato Albuquerque de Lima nasceu no dia 30 de outubro de 1979, no Rio de Janeiro, com contrato amador vinculado ao Foz do Iguaçu.
Com idade pertinente à categoria de juniores, o volante Renato foi emprestado ao Atlético para disputar a Copa Tribuna do ano passado, quando foi campeão. O porte físico avantajado e o futebol de qualidade apresentado nos treinamentos no CT do Umbará chamaram a atenção do técnico Abel Braga, que requisitou o jogador para o trabalho entre os profissionais.
Ainda no ano passado, Renato teria sido indicado para a Seleção Brasileira Sub-20, mas comentários de que se tratava de um ‘‘gato’’ (na gíria do futebol, jogador que adultera a idade para atuar nas categorias menores) fez com a comissão técnica da CBF perdesse o interesse, o que teria levantado as suspeitas entre os dirigentes rubro-negros.
Na versão sustentada pelo Atlético, ao final do Campeonato Paranaense, ‘‘Renato’’ teria tido uma ‘‘crise de consciência’’ e revelou toda a trama. Desempregado como ajudante de pedreiro e com a família passando por necessidade financeira no subúrbio de Campo Grande (RJ), Cleonício dos Santos Silva (nascido em 19 de abril de 1976) teria falsificado uma carteira de identidade, com o nome de Renato Albuquerque de Lima, sendo levado pelo ex-jogador de futebol Carlos Alberto Santana, o ‘‘Bebeto’’, para os juniores do ABC/Foz.
Bebeto, que foi zagueiro do Flamengo, Matsubara, Gama (DF) e do próprio Foz, garante que não sabia da dupla identidade de ‘‘Renato’’. ‘‘Depois que vi ele jogar uma ‘pelada’ na várzea lá de Campo Grande, achei que tinha futuro. Nem cheguei a conversar muito com ele, nem conheci muito a família, nem nada. Falei que poderia levá-lo para o Foz, para onde já havia encaminhado outros jogadores. Lembro que ele me mostrou um protocolo de carteira de identidade, que ainda não estava pronta, e assim o ‘Renato’ começou a jogar lá. Nunca imaginei essa história de identidade falsa, apesar de muita gente estar falando por aí que fui eu quem contei tudo.’’
O presidente do Coritiba, João Jacob Mehl, que tornou o caso público, disse que prefere se omitir do caso. ‘‘Não vamos brigar por pontos perdidos ou tomar qualquer outra medida. Na verdade, estou de ‘saco cheio’ com tantas confusões. Acho que quem tem que tomar alguma medida é o próprio Atlético. Pelo menos por enquanto, o Coritiba não pensa em entrar com recurso na Justiça Desportiva. Já basta o suposto caso de suborno envolvendo o clube e outros episódios do passado. É mais um absurdo dentro do futegol paranaense, mais uma história cabeluda.’’
Procurado pela reportagem, o jogador não quis falar sobre o assunto.

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