Jogador de vôlei deve estrelar filme sobre Madame Satã
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quarta-feira, 25 de agosto de 1999
Por Evaldo Novelini Do Diário de Suzano, especial para a AGÊNCIA ESTADO 
Suzano, SP, 26 (AE-Diário) - Depois de posar nu para a revista G Magazine - a edição com as fotos chega às bancas no mês de outubro - e declarar publicamente sua homossexualidade, o jogador Lilico, do Report/Nipomed/Suzano, recebeu um convite do produtor Rui Brito para estrear como ator num longa-metragem. Ainda em fase de pré-produção, o filme é uma biografia de Madame Satã, o folclórico homossexual carioca.
"O filme vai ser uma super produção com um elenco de nível. Fui convidado pelo Rui para fazer o papel principal porque me encaixo no biótipo da Madame Satã, um negão de dois metros e forte", conta o atleta, lembrando que ainda terá de passar por uma fase de testes. "O produtor, que acompanhou alguns programas de televisão dos quais participei, gostou da minha imagem no vídeo", completa. "Mesmo que não interprete o personagem central terei uma participação na produção num papel secundário".
O diretor do filme ainda não está definido (Walter Avancini está cotado). As gravações estão programadas para começar no mês de março do próximo ano. "Vai dar para encaixar certinho porque vai bater com o meu período de férias lá no Japão", cita Lilico. O atleta vai defender o Report até o final do Campeonato Paulista de Vôlei. Ao término do estadual, deverá se transferir para o Nippon/Osaka na J. League, a Superliga nipônica.
O roteiro do filme ainda está em fase de preparação, mas Lilico acredita que se encaixa no perfil do personagem principal. Madame Satã, homossexual, viveu no Rio de Janeiro. Na primeira metade deste século, seu nome tornou-se conhecido nacionalmente por defender gays e lésbicas moradores ou frequentadores de morros cariocas. Não foram raras as confusões que teve com a polícia do Rio de Janeiro.
Lilico garante que vai começar uma extensa pesquisa sobre a vida de Madame Satã. "É claro que a personagem tem um lado ruim também. Isso vou descobrir durante os estudos", diz o jogador. Caso os planos se concretizem, este será o primeiro filme da vida do jogador. Nos últimos meses sua carreira tomou um rumo totalmente inesperado. Ao declarar a um jornal esportivo que estava sofrendo discriminação na seleção brasileira de vôlei por ser homossexual, a vida do atleta sofreu um reviravolta.
A repercussão das declarações de Luis Cláudio Alves da Silva - seu nome de batismo - transformou o então jogador, do Barão Ceval (Blumenau-SC) numa referência para as minorias e ganhou notoriedade. Contratado pelo Report, posou nu para a revista G Magazine no Ginásio de Esportes "Paulo Portela", o Portelão. A edição com o ensaio do jogador chega às bancas no mês de outubro. A editora da publicação ainda não definiu se Lilico será capa - ele disputa lugar com o goleiro do São Paulo, Rogério Ceni.
Além destes outros compromissos extra-quadra, Lilico também tem de aceitar ou não convites para participar de desfiles de moda e outras coisas. Comenta-se que a MTV desejaria ter o jogador como âncora de um programa semanal de esportes. Cogita-se, ainda, que a Levis (marca de jeans) estaria interessada em Lilico para estrelar uma série de comerciais no Japão.
VÍLEI - Com tudo isso na cabeça ainda sobra espaço para o vôlei? "A minha principal motivação atualmente é jogar. Quero fazer um ótimo papel aqui em Suzano e continuar a minha carreira lá no Japão", responde Lilico, que está impressionado com a rapidez com que as oportunidades estão lhe aparecendo pela frente. "Estou preocupado porque está acontecendo tudo de uma vez na minha vida. Se isso acontecesse daqui a uns quatro ou cinco anos seria melhor, porque esta é a data que escolhi para parar de jogar", explica Lilico. Ele tem 22 anos.
O próprio jogador garante que não vai abandonar as quadras para tornar-se modelo ou ator. Suas intenções são mais nobres, esclarece. "Quero parar para cursar a minha faculdade", adianta, dizendo que está dividido entre estudar tecnologia e processamento de dados ou arqueologia. A segunda opção vem seguida de uma ressalva. "Tem de ser fora do Brasil".


