São Paulo - Éder Ceccon viajou em agosto para a Turquia sonhando em fazer sucesso e esperando resolver a situação financeira da família, de Itajaí (SC). Hoje, quase sete meses mais tarde, vive a maior desilusão da carreira. Sem ter recebido o dinheiro prometido pelos dirigentes (e ignorado por eles), quer voltar para o Brasil. Mas não consegue. O motivo: o passaporte está retido em seu clube, o Konyaspor.
A diretoria turca não admite que ele deixe a equipe, alegando ter contrato em vigência - o vencimento é em julho. E, por isso, segurou seu documento. Quer vê-lo em campo domingo, contra o Sivasspor, pelo Campeonato Turco.
O Konyaspor, no entanto, não cumpriu com quase nada do que havia acertado com o atleta, de 23 anos. Essa é a razão de o jogador querer abandonar o país. ''Quando cheguei, assinei contrato por só uma temporada, eles não acreditavam muito no meu futebol'', afirmou Ceccon, em entrevista à Agência Estado por telefone. ''Só que comecei a jogar bem, fiz gols importantes e fui elogiado até pelo Zico (técnico do Fenerbahce). Daí passaram a me procurar para renovar por três anos. E dizem que só pagarão o que me devem se eu assinar por mais três temporadas.''
Ceccon teria de receber US$ 450 mil (R$ 945 mil) de luvas quando chegou à Turquia. Ficaria com US$ 250 mil (R$ 525 mil), repassaria US$ 100 mil (R$ 210 mil) ao Juventude, seu clube anterior, e outros US$ 100 mil a empresários intermediários do negócio. O dinheiro, porém, não apareceu. ''E, quando cobro os dirigentes, eles riem da minha cara e dizem que não vão me pagar'', contou. ''O pior é que o Juventude também me cobra o dinheiro, e acabo ficando em situação ruim.''
O grande atrativo do contrato oferecido pelo Konyaspor era justamente o valor das luvas, que não foi pago. Seu salário não é tão elevado, se comparado ao que recebia no Brasil - hoje gira em torno de US$ 30 mil (R$ 63 mil). Mesmo assim, não recebeu todos os vencimentos a que teria direito.
O atacante, então, avisou seu procurador, Wagner Ribeiro, do problema. Ribeiro, que também agencia a carreira de Robinho, embarcou no fim de semana para a Turquia. E ontem foi recebido pelos dirigentes, que prometiam acertar boa parte da dívida e entregar US$ 300 mil (R$ 630 mil). Disseram, no entanto, que não tinham o dinheiro. E não devolveram o passaporte.
O procurador resolveu, então, conversar com o ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, para tentar solucionar o problema e agilizar a saída de Ceccon da Turquia. ''Podemos brigar depois na Justiça ou na Fifa, mas agora o que queremos é apenas conseguir que o Éder volte para sua casa'', comentou Ribeiro.

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