Jogada política
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de abril de 2018
Matheus Camargo<br> Estagiário 

A filiação do voltante Germano ao Podemos, partido do senador e pré-candidato à presidente, Álvaro Dias, não é um fato incomum no cenário político atual. A procura dos partidos principalmente dos menos tradicionais por nomes de boa popularidade vem sendo recorrente.
O número de personalidades do esporte disputando as eleições aumenta ano após ano. Mesmo que o capitão do Londrina decida por não se candidatar a nenhum cargo público, outros atletas, em atividade ou não, devem disputar o pleito em 2018.
Em março, um dos maiores nomes do futebol brasileiro foi oficializado como pré-candidato ao Senado pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB). Ronaldinho Gaúcho, melhor jogador do mundo em 2004 e 2005, deve disputar as eleições no Distrito Federal. A grande popularidade do ex-meia do Barcelona, aliada à desconfiança da população com a classe política, fizeram o partido acreditar numa possível vitória.
"Um dos principais fundamentos para entender isso é o sistema proporcional de votos no Brasil. O Legislativo funciona com o voto proporcional para deputados estaduais, federais ou vereadores, ou seja, os partidos têm o interesse de convidar esses nomes 'puxadores de voto', já que eles acabam, indiretamente, elegendo outros do mesmo partido", justifica o professor de Filosofia, Política e Ética da Universidade Estadual de Londrina, Clodomiro Bannwart.
Essas decisões não são tomadas por acaso. O número de deputados que os partidos possuem na Câmara é essencial para definir a fatia do fundo partidário que as siglas recebem. Por isso, segundo o especialista, a participação de nomes populares vem crescendo cada vez mais. "Eles buscam jogadores, atletas conhecidos, cantores, nomes públicos que aceitam a ideia. Esses nomes acabam se lançando e o próprio partido acaba lastreando esse candidato para viabilizá-lo."
Baixinho
O principal expoente da classe a fazer sucesso na política foi o ex-atacante Romário (PODE). Eleito pela primeira vez ao cargo de deputado federal em 2010, pelo PSB, o melhor jogador do mundo em 1994 atualmente é senador pelo estado do Rio de Janeiro. O grande sucesso do 'baixinho' em seus mandatos foi na luta contra a corrupção na CBF. Foi ele o autor do projeto que pediu a abertura da CPI do Futebol, que passou a investigar problemas na instituição.
"Temos o Romário, que vem fazendo um grande trabalho agora. Quando eu pensei em entrar na política foi a primeira pessoa que eu liguei, perguntei como era. É um exemplo, precisamos de caras assim", afirma o ex-atacante Paulo Rink (PR), atualmente no segundo mandato de vereador em Curitiba.
Com longa carreira no futebol alemão se naturalizou a disputou a Eurocopa pelo país em 2000 , Rink se filiou ao PPS em 2006. Após a aposentadoria dos campos, assumiu um cargo na direção do Atlético-PR, clube onde fez sucesso no Brasil nos anos 90, mas saiu em 2011. "Saí por causa da polêmica da Copa, da Arena como um dos estádios, e então liguei para o Rubens Bueno, já que eu era filiado há muito tempo e me propus à eleição para vereador para acompanhar o caso da Copa, as reformas. Eu joguei ali, conheci aquele estádio. Logo após a eleição eu participei da comissão que acompanhou a Copa em Curitiba e também graças a esse bom trabalho consegui minha reeleição."
Os eficientes e os folclóricos
Os casos de Romário e Rink fogem à regra. Tradicionalmente vistos como folclóricas, as personalidades eleitas para cargos do Legislativo acabam se provando ineficientes. Para Bannwart, esses candidatos acabam se elegendo com o novo discurso do "não-político". Eles encontram um discurso de cansaço e insatisfação entre a população e lhes é creditado o valor de fazer algo significativo. "Acredito que isso seja um engano, até porque normalmente eles acabam sendo permeados pelo sistema, não tendo essa representatividade esperada", finaliza o professor.
O vereador de Curitiba enxerga nomes capazes de participarem do processo no Brasil, mas concorda que alguns se lançam apenas pela publicidade. Paulo Rink cita nomes como Raí, Ricardo Rocha, Zico e Leonardo como personalidades do futebol com perfil de liderança e capazes de promoverem mudanças. "Eu quero atletas como esses caras participando. Profissionais, capitães, líderes e referências participando do processo. Agora, esses nomes que buscam a visibilidade eu sou contra."
Os ex-jogadores Bebeto, campeão do mundo em 1994, Jardel, campeão da Libertadores pelo Grêmio em 1995, e Bobô, campeão brasileiro pelo Bahia em 1988, ocupam atualmente os cargos de deputado estadual no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Bahia, respectivamente. Em Brasília, Danrlei (PSD-RS), ex-Grêmio, e Deley (PTB-RJ), ex-Fluminense, ocupam cadeiras na Câmara Federal. A FOLHA ligou diversas vezes para o volante do LEC, Germano, mas não conseguiu contato com ele.
*Supervisionado por Diego Prazeres, editor de Esporte


