JOELMIR BETING
Não me digam que não há favorito no mata-mata das quartas do campeonato. Como não, se os quatro primeiros levam respeitáveis vantagens sobre os outros quatro? Ou não é trunfo de peso o direito de jogar em casa a decisiva do mano-a-mano? Ou não é trunfo de peso jogar por dois empates? Ou não é trunfo de peso a prerrogativa de jogar por dois resultados iguais, tipo: perdeu o primeiro de 1 a 0 e ganhou o segundo, igualmente, de 1 a 0, está classificado.
Mário Sérgio repele a condição de favorito do São Caetano. Da boca pra fora, é lógico. Pura dissimulação. Os quatro são favoritos sim senhor.
É claro que o futebol tem lá seus caprichos e como é bom que os tenha! Pra usar uma expressão bem coloquial: vai que o Santos está com a cachorra, e sapeca uma goleada no São Paulo, na Vila Belmiro? Realmente, aí, entra em cena um ingrediente chamado pressão que pode anular qualquer trunfo. A hipótese se aplica, naturalmente, aos outros três jogos. Quem impuser ao visitante um escore vultoso, no primeiro jogo, chegará ao segundo com o moral nas nuvens. O diabo é que os primeiros anfitriões não têm tempo a perder: é entrar em campo, já disposto a fazer gol. E, aí, amigos, o risco de tomar gol de contra-ataque aumenta sensivelmente.
Contra o São Paulo e contra o São Caetano, todo cuidado é pouco. São duas equipes às quais não deve dar um mínimo de espaço. No caso do tricolor, eu me lembro do jogo na primeira fase, quando o Santos, com ímpeto juvenil, encostou à rede o time do São Paulo. De repente, não mais que repente, em dois contra-ataques fez duas jogadas mortais: dois gols que desestabilizaram a garotada de Leão.
Não há como negar que São Paulo, São Caetano, Corinthians e Juventude começam a fase favorecidos pelo regulamento. E aliás, com inteira justiça. Uma coisa, porém, parece inquestionável: no futebol, não basta ser favorito pra ganhar, pois, como diz o conselheiro Acácio, o jogo é jogado...
Rápidas e rasteiras
Jaime Valente, ex-jogador do Flamengo, está concluindo tese de doutorado, na Universidade do Porto (Portugal) que versa sobre a obra de Zagallo, no futebol brasileiro. Jaime, que, hoje, dirige a Faculdade de Educação Física, da UERJ, no Rio, é um ardoroso admirador da carreira de Zagallo, como jogador e como técnico também. / / / / / A vitória brasileira, quarta-feira, contra a Coréia do Sul, conta ponto pro ranking da Fifa, mas serve pouco aos novos tempos da seleção que, aliás, continua sem treinador e sem qualquer plano de trabalho. / / / / / Ronaldinho Gaúcho não deve ficar muito tempo no PSG. O clube de Paris anda meio abrasileirado em matéria de caixa. A salvação da lavoura talvez seja vender Ronaldinho. / / / / / A seleção francesa começa a se renovar. Escalou muito sangue novo na vitória de 3 a 0 contra a Iugoslávia, em Paris, esta semana. Isto sim, é pensar no futuro. / / / / / Se for verdade que Martina Hingis estaria jogando a toalha, não resta a menor dúvida de que o tênis-arte já perdeu a parada pro tênis-força. É uma pena que um talento como Martina já não tenha vez no esporte que ela soube elevar às culminâncias da arte. / / / / / O time do Gama foi rebaixado. É uma pena. Vi-o jogar algumas vezes e sempre me agradou. Tem toque de bola, tem desassombro, tem poder ofensivo. Como equipe, está bem acima do Botafogo e da Portuguesa, ambos com futebol de terceira. / / / / / A torcida do Paysandu me pareceu injusta, domingo, injuriando seus jogadores. O time do Inter lutou com grande fervor e não deixou o Paysandu respirar. / / / / / Quem explica a ladeira abaixo do Coritiba? O time passou dois terços do campeonato esquentando lugar entre os oito. De repente, desabou contra o Figueirense, em casa, e, finalmente, acabou goleado pelo Gama. Feitiços do futebol.





