Tostão escreveu, quarta-feira, que considera Kaká o maior jogador em ação no Brasil. Concordo, piamente e digo mais: tenho a impressão de que é daí pra melhor. Kaká está ganhando massa física, a olhos vistos. Massa corporal é, cada vez mais, elemento essencial em qualquer esporte de choque. O futebol é um jogo de corpo-a-corpo, um esporte de choque físico. Na hora de um tranco, faz notável diferença.

Kaká pertence à mesma estirpe de Tostão, de quem eu dizia, noutros tempos, o que Tostão diz, agora, de Kaká. A bola de um é a cara da bola do outro. Pertencem ambos à singularíssima dinastia dos atacantes que preferem o passe ao drible. São dois fundamentos fascinantes do futebol. Ambos visam a um mesmo fim: a desestabilização do adversário. Com uma diferença: o drible consegue desequilibrar um defensor de cada vez, o passe vai além: pode desmontar uma defesa inteira, de uma vez só. Por isso, direi que o futebol de Kaká, como era o de Tostão, está mais pra cerebral que pra intuitivo. Curioso é que os dois são brasileiros natos, mas o estilo de ambos nada tem da ginga, da picardia, do jogo de cintura que carateriza o nosso sempre louvado peladeiro. Mais que brasileiro, o futebol que Tostão jogou e o de Kaká, tem dimensão universal.

Vendo jogar Kaká, me lembro de Tostão, com o assombroso dom de antever que ele tinha. Via tudo, antes de todos. Pois Kaká está desenvolvendo, jogo a jogo, o que chamo de olhar absoluto. A maioria vê o beco, ele vê a linha do horizonte.

É com alegria que vejo Tostão tirar o chapéu pro Kaká. Mais feliz que Tostão sou eu que posso tirar o chapéu pros dois.

Pau neles!

Queremos agradecer, de mãos postas, pelo bem que fez o eleitorado, rifando os vendilhões do futebol brasileiro. Parece que o povo combinou: é cartola? Portou-se mal? É um finório, um oportunista? Faz o jogo do mau cartola? Já vai tarde! Pau nele! Foi assim que falou, pela boca da urna, o torcedor-eleitor. Eurico Miranda, Luciano Bivar, Paulo Carneiro, Gilvan Borges, Bernardo Cabral, Nabi Abi Chedid, Onaireves Moura e outros mais foram todos fragorosamente derrotados.

Da vassourada cívica não escapou ninguém. E olha que o Ricardo Teixeira, com sua notória cara-de-pau, achou que estava dando uma força, deixando que alguns sacripantas, velhos cupinchas, desfilassem com a taça do penta. Weber Magalhães foi um deles. Apropriação indébita! O Onaireves Moura é outro que pretendeu tirar uma casquinha do troféu, passeando com ela nas ruas de Curitiba. Ninguém percebeu, mas sabe-se que a tacinha quase morre de vergonha.

Rápidas e rasteiras

Dura, porém, compensadora, foi a minha última quarta-feira, repleta de jogos, cada um mais emocionante que o outro. Sem exceção. Pulo de um pro outro, no controle-remoto, e me delicio com tudo: a velocidade do jogo, o entusiasmo coletivo, os gols, uns de cabeça, outros de pura malícia, outros de precisão técnica, as defesas portentosas dos goleiros. Não dá pra não. / / / / / O ''tie-breake'' do vôlei Brasil-Itália foi uma epopéia. O sovado coração do marquês, aqui, ainda aguenta o tranco de um quinto set como aquele em que o Brasil despachou a Itália, tricampeã mundial. Tanto que se saiu, olimpicamente, da magistral vitória contra a poderosa Iugoslávia. Hoje, finalista, o vôlei do Brasil vai testar muito coração. Vamos lá, minha gente! / / / / / Guga é, longe, o jogador que mais treina, que mais trabalha seu tênis no circuito da ATP. São palavras de Paulo Cleto, em entrevista que me deu e que estará no ar, amanhã, no Programa Armando Nogueira, do Sportv. Cleto fala de seu livro ''Guga - Roland Garros - um Caso de Amor''. Por sinal, uma obra de impecável bom-gosto.

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