JOELMIR BETING
O São Caetano nada, nada, nada e acaba dando em nada, mesmo. É a terceira vez que o time frustra todo mundo. Parece até que sofre de síndrome de final. Já perdeu três, o que é demais pra tão curta vida. Aliás, o São Caetano deve dar graças a Deus que seu público no estádio seja mais platéia que torcida. Platéia, descontente, quando muito, ou silencia ou vai embora mais cedo. Torcida solta os cachorros.
Tinha todos os trunfos pra vencer o jogo com o Olimpia: arrancara uma vitória em Assunção, semana passada; jogaria a segunda, num estádio aliado, o simpático Pacaembu; tendo ganho o primeiro, 1 a 0, pra ficar com a taça, bastava empatar. Resumo da ópera: mal a bola começou a rolar, o São Caetano já era virtual campeão das Américas. Reforçaria, ainda, as chances, fazendo o primeiro gol da partida.
Pois ainda assim, não senti firmeza no time do São Caetano, momento algum. Quem dava as cartas no jogo, o tempo todo, era a equipe do Olimpia. Mais organizada, mais ousada. O Olimpia não é uma equipe que deslumbre ninguém. Ela faz o seu trivial, contando com uma razoável combinação de valores em que entram um brasileiro, um argentino e um uruguaio que sabem temperar, com bola no chão, o sempre impetuoso futebol dos paraguaios.
O que mais me intrigou nessa partida, foi ver a equipe do São Caetano travada, sem iniciativa. O torcedor, que não tem papas na língua, diria que o time amarelou. Bom, se amarelar é não ter serenidade pra trocar dois passes seguidos; se amarelar é refugar as bolas divididas; se amarelar é dividi-las, mas sem convicção; se amarelar é aceitar, passivamente, que o adversário te olhe de cima pra baixo; se amarelar é não disputar a bola, em cada palmo de campo; se amarelar é não ser capaz de empolgar a arquibancada então, amigos, é pena que o São Caetano tenha deixado a crista cair, justamente, na hora de cantar de galo.
O diabo é que o vice pode virar estigma.
Ministro, por favor!
A pergunta ressoa pelos becos do futebol: deve o governo dar um ''help'' financeiro aos clubes? Em princípio, acho que não. Enquanto o futebol brasileiro não mudar de cara e de consciência, qualquer ajuda é impensável. O dinheiro, seja quanto for, não há de cair em mãos limpas. Discordo de quem, como João Havelange, diz que o socorro já vem tarde. O que já virá tarde, amigos, é a limpeza da área pela Justiça.
Faço minhas as lúcidas palavras de meu amigo Sérgio Augusto, em brilhante artigo publicado no Pasquim: ''Passada a justa e lustral euforia (do penta), cairemos e esta altura já caímos na real. E como é desanimador o nosso cotidiano futebolístico. Nossos melhores guerreiros irão embora para a Europa e Japão, fugindo do Risco Brasil e do Risco Ricardo Teixeira. Nós ficaremos por aqui, entregues ao ramerrão, aturando aqueles torneios longos, irrelevantes, deficitários, conspurcados pela politicagem e pela corrupção.''
Não, ministro Caio Luiz de Carvalho, não solte um trocado, antes que sejam julgada pelos tribunais os cartolas inidôneos. Antes que seja feita uma limpeza geral nesse patético galinheiro que sãos os grandes clubes de futebol do Brasil.
Rápidas e rasteiras
Corre, em Santa Catarina, que o clã de Guga está escondendo demais o rapaz. Não há quem consiga sequer avistá-lo, quanto mais entrevistá-lo. A própria família teria decidido trocar o ''low profile'', que é até razoável, por um insensato ''no profile''. Como diz Ronaldo, ''o mimado de Deus'', tem gente que não sabe lidar com o sucesso. / / / / / Enquanto, no Pacaembu, o São Caetano desapontava meio mundo, jogando pela janela um título quase seu, em Belém, o Paysandu levava o time do Cruzeiro ao limite máximo de suas forças pra derrotá-lo. Bravo Paysandu, que, certamente, voltará, mais inflamado, ainda, na finalíssima de Fortaleza.





