Joel garante que não renuncia
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quinta-feira, 23 de outubro de 1997
Agência Estado 
Paulo Liebert/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Célio Silva (ao lado da namorada Lídia): Todos somos culpadosA única certeza da comissão técnica do Corinthians é que o time não perde mais este mês. Depois do fiasco na Rua Bariri com a derrota para o Fluminense (1 a 0), a equipe apenas poderá tentar a reabilitação das quatro derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro no dia 1º, contra o Sport. Até lá, as pressões vão prosseguir e muitas delas, internas, exigindo a demissão do técnico Joel Santana. Mas o treinador garante que não se sente ameaçado nem passa por sua cabeça entregar o cargo: Renúncia é coisa de covarde e isso eu não sou, garantiu ontem Joel.
Nenhum corintiano envolvido na crise, e vê a cada rodada a aproximação do abismo do reabaixamento na competição, consegue explicar os motivos pelos quais o time estagnou nos 23 pontos e está em queda livre na tabela de classificação. A começar pelo técnico, ainda capaz de ser paciente nas entrevistas e manter-se sereno, a ponto de parar numa barraquinha de pipoca, centro de São Paulo, e fartar-se de milho, como se nada estivesse acontecendo ao redor. Estou tranquilo porque tenho plena consciência do que estou fazendo, justificou. Apesar do desejo de alguns conselheiros de ver Joel Santana longe do Parque São Jorge, o técnico assegurou que tem recebido total apoio dos dirigentes do clube e do banco.
Os jogadores reagem de forma diferente. Alguns temiam pela recepção na madrugada no Aeroporto de Cumbica. Nada de anormal aconteceu. Outros entendem que têm de assumir sua parcela de responsabilidade, como propôs o zagueiro Célio Silva. Todos somos culpados pela situação e assumo a minha parcela, confessou. O goleiro Ronaldo entende que chegou a hora de falar pouco e trabalhar muito. Para o goleiro, se acontecer o pior com o time, ele estará junto. Estarei com o Corinthians aonde for, na Primeira, Segunda ou Quinta Divisão porque sou corintiano.
O supervisor de Futebol, Paulo Angione, considera que só uma atitude salvará o Corinthians, algo que chamou de mutirão da solidariedade. Como se obtém isso? Essa massa corintiana precisa entender que o momento é de união de todos para superarmos essa dificuldade, pregou.
Quebra-quebra Uma ação grave, premeditada, típica de guerrilha e que poderia ter causado mortes. Esta foi a conclusão do promotor público Fernando Capez, depois de ouvir, ontem, no prédio do Ministério Público, na região central de São Paulo, os depoimentos de alguns integrantes do ônibus corintiano, vítima da emboscada do dia 14, na Rodovia dos Imigrantes. Indícios de que houve participação da organizada Gaviões da Fiel também começam a ser confirmados.


