São Caetano do Sul, 9 (AE) - Com uma apresentação impecável do ponta Joel, a seleção brasileira masculina de vôlei venceu a Argentina por 3 sets a 2 (21/25, 32/30, 25/22, 33/35 e 15/13) e garantiu a vaga para a Olimpíada de Sydney. No jogo, decisão do Torneio Pré-Olímpico, a garra do time prevaleceu sobre a técnica em jogo tenso e emocionante.
A seleção entrou em quadra sentindo a responsabilidade de decidir a vaga olímpica em casa. Sacando mal e com dificuldades no bloqueio, o Brasil perdeu o primeiro set, e teve problemas no segundo. Foi quando o atacante Joel mostrou ser a estrela do jogo. Com pontos de saque providenciais no fim do segundo set e ataques potentes, ajudou a equipe a equilibrar o jogo.
A seleção teve mais facilidade para ganhar o terceiro set, embora a equipe argentina não tenha facilitado em nenhum momento. O jogo parecia decidido no quarto set, mas o Brasil errou nos pontos finais e a Argentina a levou a partida para o tie-break.
No quinto set, vitória do Brasil foi ameaçada quando os argentinos estabeleceram vantagem por 6 a 2. Outra vez, Joel apareceu no saque e no ataque, ajudou o time a chegar ao empate e o time definiu o placar, para emoção do técnico Radamés Lattari, do presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV)
Ary Graça, e o capitão do time, o ponta Carlão. A Venezuela venceu a Colômbia por 3 sets a 0 ( 25/14, 25/18 e 25/17) e ficou com o terceiro lugar.
Rotina - "Sempre entro em quadra quando o Brasil está em situação difícil, de maneira que ou acabo sendo o destaque ou sou criticado", disse Joel, que também ressaltou o trabalho do restante do grupo. "Foi um jogo importante para mim, que tenho buscado me firmar no time titular da seleção."
O jogador espera melhorar seu desempenho no passe e no bloqueio, como quer Radamés. "Já disse que ele é um atacante de grande potencial no saque e no ataque, mas hoje, para ser titular é preciso que um jogador seja completo."
Para Carlão, esta foi a vaga olímpica mais difícil de conquistar de sua carreira. "Até eu, com minha experiência de 15 anos de seleção, entrei na emoção do jogo." Para ele, o coração foi mais importante que a razão e o time contou com uma dose de sorte para vencer e chegar à vitória.
"O Joel e o Ricardinho (levantador) foram fundamentais, especialmente porque a Argentina fez uma de suas melhores partidas contra a gente", ressaltou o capitão brasileiro. "Até o Milinkovic, que não costuma jogar bem contra a gente fez um ótimo jogo."
"Tivemos dificuldade no primeiro set porque o saque estava fraco, mas depois pudemos recuperar", avaliou o atacante Giba, que jogou com dores no joelho durante boa parte da partida. Ele ressalta que ficou feliz por ter conseguido ajudar o time jogando fora de sua posição.
"Estou acostumado a passar quando jogo no clube, mas hoje joguei na função do Nalbert, especialista em defesa." O jogador ressalta que as coisas só ficaram mais fáceis porque, no fim do jogo, quando a contusão no joelho voltou a incomodar, a função passou a ser exercida por Carlão.
Animais - "Se o Brasil e a Argentina renderam 80% de sua capacidade técnica, na parte humana renderam 200%", avaliou Radamés, que esperava uma partida difícil, mas não tão tensa. "Os jogadores foram verdadeiros animais em quadra, suportando um ritmo sobre-humano que somente atletas excepcionais aguentariam."
Segundo o treinador, sua maior preocupação foi com a velocidade do jogo, que impedia os atletas de usar a razão na hora de definir as jogadas. O ponto positivo foi a união do grupo. "Em certo momento, os reservas estavam tão agitados que na hora do tempo técnico todos queriam passar instruções e eu tive de mandar o pessoal parar."