O ex-presidente da Fifa João Havelange poderá depor hoje sob juramento na CPI da CBF/Nike, instalada na Câmara. Isso ocorrerá se o dirigente deixar de prestar depoimento como um informante da comissão, como estava previsto, e passar a ser testemunha. A mudança será solicitada pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), membro da CPI, e é admitida pelo presidente da comissão, Aldo Rebelo (PC do B-SP).
No requerimento aprovado pela CPI, o ex-presidente da Fifa foi convocado a depor para prestar informações que auxiliem a comissão, da mesma forma que ontem prestaram depoimento quatro jornalistas e comentaristas esportivos.
Nesses casos, não há juramento e, se o depoente mentir, não pode ser processado por isso.
A possibilidade de mudança na condição de depoimento de Havelange ocorre justamente devido à reunião de anteontem. ‘‘O depoimento prestado pelos jornalistas pode modificar isso (a condição do depoente)’’, afirmou Aldo Rebelo.
Segundo o presidente da CP, o pedido para mudar a condição do depoimento de Havelange pode ser feito por qualquer membro da comissão até durante a reunião, marcada para hoje de manhã.
O relator da CPI, Sílvio Torres (PSDB-SP), é contra a mudança da condição de depoente do ex-presidente da Fifa.
‘‘Acho que pesa sobre ele (Havelange) um grau de suspeição. Ele tem de prestar juramento’’, afirmou Chinaglia.
Para o deputado, as irregularidades na CBF se espelharam justamente no trabalho de Havelange à frente da entidade que rege o futebol mundial. ‘‘O que ocorre na CBF é uma cópia do que ocorreu na Fifa sob a gestão dele’’, declarou o deputado do PC do B.
Entre as principais suspeitas que a CPI apura em relação à CBF estão o suposto favorecimento de dirigentes da entidade na contratação de empresas, o eventual envolvimento da confederação na sonegação de impostos em transações de jogadores e a assinatura de um contrato com a Nike que tem cláusulas que prejudicariam a seleção brasileira.
O jornalista Juca Kfouri, colunista do diário ‘‘Lance’’, sustentou em seu depoimento realizado uma declaração dada havia três anos, segundo a qual Havelange é chefe da ‘‘máfia’’ do futebol.
José Trajano, apresentador da ‘‘ESPN Brasil’’, citou denúncias publicadas em um livro de um jornalista inglês. Nelas. Havelange teria recebido uma fazenda de dirigentes de futebol da Argentina na Copa do Mundo de 1978.
Pouco depois de Havelange começar a falar hoje, Renata Alves, ex-funcionária do ex-técnico da seleção Wanderley Luxemburgo, deverá iniciar seu depoimento para os senadores da CPI do Futebol, instalada no Senado.
O depoimento da estudante de direito Renata Alves, ex-secretária do técnico Wanderley Luxemburgo, programado para hoje de manhã, servirá para municiar a CPI do Futebol para outra e mais importante interpelação: a do próprio Luxemburgo.
O ex-treinador da seleção brasileira também será convocado a depor na comissão, mas a data ainda não foi definida. O depoimento de Luxemburgo deverá ser o principal acontecimento da primeira etapa de trabalhos da comissão.

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