São Paulo - Após se tornar o brasileiro mais jovem a ganhar um título de nível ATP com o triunfo em Buenos Aires no domingo (16), o carioca João Fonseca, 18, desembarca nesta semana em sua terra natal para a disputa do Rio Open cercado de expectativas.

Agora, como o atual número 1 do Brasil no ranking da ATP - ocupando o posto de 68º do mundo -, Fonseca desponta como a principal esperança para conquistar a taça de campeão pela primeira vez para o país.

Chegando em sua 11ª edição, o principal torneio de tênis da América do Sul ainda não teve nenhum brasileiro campeão na chave de simples. A Espanha, com Rafael Nadal (2014), David Ferrer (2015) e Carlos Alcaraz (2022), é o país com mais títulos do torneio, seguido pela Argentina, com Diego Schwartzman (2018) e Sebastián Báez (2024).

Em 2024, o Brasil teve o primeiro campeão do torneio, mas na chave de duplas, com a vitória de Rafael Matos ao lado do colombiano Nicolas Barrientos. Matos volta a jogar neste ano, desta vez formando dupla com o compatriota Marcelo Melo.

Na edição do ano passado foi quando o país também alcançou a melhor campanha da história na chave de simples, com três representantes avançando até as quartas de final - João Fonseca, que se tornou o tenista mais jovem a alcançar a fase na história do torneio, aos 17 anos, além de Thiago Wild e Thiago Monteiro.

Na ocasião, Fonseca acabou eliminado pelo argentino Mariano Navone. Na campanha vitoriosa na Argentina, o brasileiro se vingou da derrota, derrubando Navone em seus domínios também nas quartas de final.

Na edição que começa nesta segunda-feira (17), o Brasil terá cinco representantes nas quadras de saibro do Jockey Club. Além de Fonseca e dos Thiagos, também estarão em ação Felipe Meligeni e Gustavo Heide.

Defendendo os 90 pontos que conquistou na capital carioca no ano passado, Fonseca faz sua estreia contra o francês Alexandre Müller, 60º do ranking.

O adversário de 28 anos também venceu no início do ano seu primeiro torneio de nível ATP, com o título de Hong Kong em janeiro. Será o primeiro duelo entre os dois, previsto para acontecer nesta terça-feira (18).

Se passar da primeira rodada, Fonseca terá pela frente o vencedor do duelo entre o argentino Tomas Etcheverry (43º) - derrotado pelo brasileiro em Buenos Aires - e o francês Corentin Moutet (66º).

"A próxima semana vai ser mais um desafio. Ir para o Rio hoje [domingo], descansar, sentir a quadra amanhã e terça-feira ir com tudo para o Rio Open. Quero curtir esse momento e amanhã já virar a chave, porque assim é o tênis, assim é o esporte em geral. Você ganha um título e depois já pensa na próxima meta", declarou Fonseca logo após a conquista do título na capital argentina.

Vencer o Rio Open vai reforçar a trajetória ascendente do brasileiro iniciada desde o ano passado, se aproximando do top 60.

O torneio distribui ao campeão 500 pontos, além de uma premiação de US$ 448 mil (R$ 2,5 milhões). A final acontece no domingo (23), às 17h30 (horário de Brasília).

Número 2 do mundo, o alemão Alexander Zverev é o tenista melhor ranqueado do torneio e faz sua estreia contra o chinês Yunchaokete Bu (69º).

Campeão olímpico em Tóquio-2020 e vice de Roland Garros em 2024, Zverev elogiou a jovem promessa brasileira, mas também disse que é preciso paciência com seu processo de desenvolvimento.

"Ele tem talento, caso contrário, não teria os resultados que está tendo. Eu conversei com ele, parece ser um garoto muito legal, muito pé no chão. O mais importante é perceber que essas são apenas as primeiras etapas, e todos nós precisamos nos acalmar", disse o alemão, que pode enfrentar Fonseca em uma eventual semifinal no Rio Open.

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Fonseca sacode mundo do tênis, mobiliza lendas e gera expectativa por jogos

João Fonseca elevou seu status de novo fenômeno do tênis com seu primeiro título no circuito da ATP. O brasileiro de 18 anos vem sendo tratado como a próxima estrela internacional e atraindo a atenção de grandes nomes do esporte

O NOME DO MOMENTO

As façanhas de Fonseca estão ganhando o mundo, com ele quebrando recorde atrás de recorde a cada semana. Em seu segundo ano como profissional, o carioca se tornou o brasileiro mais jovem a se sagrar campeão de um torneio da ATP, atingiu marcas de Carlos Alcaraz e virou o número 1 do Brasil no ranking mundial, sendo o caçula do top 100, entre outros feitos.

O universo do tênis já se rendeu ao "Fonsequismo". Fãs, especialistas e astros da modalidade — aposentados e em atividade— acompanham de perto cada passo e ficam surpresos com as exibições e pelo talento do garoto. Se antes ele era desconhecido, agora já é tratado como um "must watch" ("obrigatório assistir", em tradução livre) e elogiado até por adversários.

A fase de Fonseca tem gerado grande expectativa para duelos contra tops do ranking. O britânico Andy Murray, por exemplo, não escondeu a ansiedade para ver o brasileiro enfrentar pela primeira vez Carlos Alcaraz, a última joia mundial do tênis. O espanhol de 21 anos, inclusive, parabenizou João pelo título em Buenos Aires e respondeu sobre um possível confronto: "Em breve".

"Mal posso esperar pela primeira partida entre Fonseca e Alcaraz". afirmou Andy Murray.

O carioca vem sendo tratado como estrela em ascensão e também virou o "queridinho" nas redes sociais. Perfis de torneios e de entusiastas do tênis exaltam João, que faz com que as publicações bombem em engajamento. Foi assim durante a disputa do Australian Open (e continua após o fim do Grand Slam) e também na Argentina, com os posts sobre o brasileiro extrapolem a casa dos milhões de visualizações.

Fonseca mal terá tempo de descansar após o título e já pensa em no próximo compromisso: seu aguardado retorno ao Rio Open. Ele estreia nesta terça (18) contra o francês Alexandre Muller (#58 do mundo), cerca de 48h depois de levantar seu primeiro troféu em Buenos Aires.

O QUE JÁ FALARAM SOBRE FONSECA

"Eu quero dizer que Fonseca, que ganhou o Next Gen Finals, aquele garoto é 'malvadão'. Ele vai ser um problema para muitas pessoas no circuito", disse Andy Roddick, ex-número 1 do mundo.

"Impressionante, João. Parabéns", escreveu Carlos Alcaraz, após título de João na Argentina

"Eles [João Fonseca e Jannik Sinner, nº1 do mundo] são muito parecidos, impõem um ritmo forte e sacam muito bem. São jogadores que podem ser comparados", disse Lorenzo Sonego, tenista italiano, antes de enfrentar Fonseca no Australian Open

"Será no mínimo top 5, o garoto joga outra coisa", apontou Federico Coria, tenista argentino, antes de enfrentar Fonseca em Buenos Aires

"Ele parece lidar muito bem com a pressão, bate na bola de forma única. Se eu não puder jogar esta semana, vou torcer por ele", analisou Lorenzo Musetti, tenista italiano, antes do Rio Open.

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