Joachim Low e Diego Maradona convivem com críticas dirigidas pela imprensa
Cidade do Cabo - Joachim Low e Diego Maradona chegaram à África do Sul bastante criticados pela imprensa de seus países. E a descrença permanece apesar das seleções disputarem neste sábado uma vaga na semifinal da Copa do Mundo. O técnico alemão, auxiliar de Jurgen Klinsmann na campanha do terceiro lugar de 2006, não agradou aos críticos ao levar para a África um time predominantemente jovem. Ao mesmo tempo, seu trabalho ganhou certa aceitação após a marcante vitória por 4 a 1 sobre a rival Inglaterra nas oitavas de final.
''Um trabalho de quatro anos não pode ser analisado por uma partida. Consolidamos um esquema de jogo, que obteve bons resultados. Estamos satisfeitos com o nosso desempenho'', disse Low, que destacou também a postura da equipe até na derrota para a Sérvia na fase de grupos. ''Mostramos força mesmo com um jogador a menos''.
Para o duelo deste sábado contra a Argentina, o treinador não anuncia alterações na forma de atuar da equipe. ''É preciso confiar nos jogadores. A cada partida a nossa responsabilidade aumenta e estamos preparados para mais uma grande atuação''.
Já Maradona chegou quase como um estreante na função. Havia treinado o modesto Deportivo Mandiyú, em 1994, quando obteve apenas uma vitória em 12 jogos. No ano seguinte comandou o Racing por 11 partidas. Venceu duas, empatou seis e perdeu três vezes. O ex-jogador Valdano, que atuara com o próprio Maradona na seleção, criticou a sua indicação como treinador. ''Acho arriscado''.
O quarto lugar na classificação das Eliminatórias, com duas difíceis vitórias sobre Peru (2 a 1) e Uruguai (1 a 0), aumentou a desconfiança da imprensa argentina, que ficou ainda mais apreensiva com a convocação de Maradona para a Copa. As ausências de Cambiasso e Zanetti, astros da campeã europeia Internazionale, causaram estranheza, mas ratificaram o surgimento da ''Família Maradona''.
Taticamente, o time foi formado para que Messi explodisse como o grande jogador do Mundial. Maradona aposta para o duelo na Cidade do Cabo em um ataque poderoso, mas que expõe a defesa. Depois de quatro vitórias no Mundial, sempre atuando ofensivamente, fica difícil imaginar que ''El Diez'' possa colocar o time nos contra-ataques, como fez na vitória por 1 a 0, em Munique, diante dos próprios alemães. ''Não há motivo para mudar. Nem os jogadores, nem a forma tática''.
Neste sábado, no estádio Green Point, Low e Maradona estarão frente a frente. Ao vencedor, as honras de colocar sua equipe entre as quatro melhores do mundo. Ao perdedor são esperadas duras críticas pelo que fez e pelo que deixou de fazer. (Wilson Baldini Jr./A.E.)





