O jiu-jitsu não é um esporte que estimula a violência e seus praticantes não devem ser associados aos arruaceiros de rua. Quem decreta isso é o mestre em jiu-jitsu Wendell Alexander, 41 anos, do Rio de Janeiro - cidade que é o berço da modalidade no mundo, desde que ela passou a ser praticada como esporte de competição.
Wendell é faixa preta há 22 anos e tem a graduação de 4º Dan. Ele iniciou este mês em Londrina um programa que visa preparar atletas de ponta para competições nacionais e internacionais. Uma vez por mês ele virá à cidade para ensinar os segredos da modalidade aos alunos da Academia Extreme, que mantém a equipe de competição Rodrigo Feijão.
A equipe londrinense, que tem como coordenador o professor Rodrigo Feijão, de Maringá, é uma das filiais da Academia Nova União, fundada no Rio em 1995 e hoje com várias unidades espalhadas pelo País. ''Já perdi as contas, mas formei seguramente mais de 60 faixas pretas nesses anos e hoje eles mantém suas academias em quase todos os Estados do Brasil'', afirma.
Com a propriedade que esse currículo lhe confere, ele fala que o jiu-jitsu foi ''injustamente associado aos brigões de rua pela imprensa, que muitas vezes aumenta os fatos''. ''Muitas vezes se noticia que um grupo de caras provocou uma briga e dizem de cara que são praticantes de jiu-jitsu, mas na hora que você as imagens nota que é um capoeirista ou lutador de outra modalidade'', defende-se.
Para o mestre, essa má fama talvez seja fruto do ''mau trabalho'' de alguns professores que não formaram corretamente seus alunos. ''Mas é uma minoria. Hoje quase todas as academias preparam seus atletas com disciplina para competições e não admitem que se envolva em confusão'', garante 'Dell', como é chamado o mestre carioca. ''Na minha academia, por exemplo, se algum aluno provocar uma briga e eu comprovar, ele está fora'', sentencia.
Para Dell, casos que saltam aos olhos e que ''pegam muito mal para o jiu-jitsu e o vale-tudo'', como o do lutador Ryan Grace, de São Paulo - preso após se envolver em atropelamento e agressões - ''são isolados''. ''Atleta é uma coisa, pit boy é outra completamente diferente. Nós formamos atletas e sou muito feliz com o meu trabalho'', enfatiza.
Na condição de co-organizador de competições nacionais, Dell filiou sua rede de academias à recém-criada Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Esportivo (CBJJE), da qual é diretor de arbitragem. Entre os atletas de ponta que Dell está preparando em Londrina estão os professores Tiago Schietti (Vitapoint/Academia Espaço Físico) e Bruno Allen. Eles disputarão em julho o Rio Open, no Rio de Janeiro, e o Mundial da CBJJE, em São Paulo.

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