Jiu-jitsu ganha respeito e seguidores por todo mundo
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
Após um ano da morte de Hélio Gracie, o grande mestre do jiu-jitsu, o legado do trabalho que desenvolveu durante os 95 anos ganha cada vez mais o mundo. Entre os dias 28 e 31 de janeiro, lutadores de todo o Velho Continente e do Brasil se reuniram na cidade do Porto, em Portugal, para a 6 edição do Campeonato Europeu de Jiu-Jitsu.
Dois representantes de Londrina participaram do torneio e, além de três medalhas de bronze, trouxeram na bagagem uma outra visão do esporte. Segundo um dos mais antigos professores da modalidade na região, Vinícius Canevari, o ''Magoo'', das cinco lutas que disputou pela categoria peso leve, todas foram contra conterrâneos.
''A maioria dos faixa-preta são brasileiros. Mas acredito que pelo ritmo de crescimento, em cinco anos haverá muitos europeus com faixa-preta. O 'boom' está começando a acontecer agora, mas já faz uns 10 anos que existe o jiu-jitsu por lá'', explica. No ano passado, Magoo já havia ministrado um curso no mesmo torneio e neste ano ficou em terceiro lugar.
Na opinião do faixa-marron Jan Mohrbacher, a presença do jiu-jitsu no velho continente ocorreu devido ao trabalho de expansão da família Gracie. Existem unidades da academia Gracie Barra espalhadas por diversos países, porém as mais expressivas estão na Inglaterra, Espanha e Itália. Ele cita o trabalho de Robin Gracie, que há 12 anos implantou o esporte em Barcelona e já possui lutadores chegando no mais alto grau das artes marciais.
''O que mais marcou no Mundial foi a presença de professores brasileiros que dão aula na Europa. Outro detalhe foi o pessoal de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. O filho de um sheik é fã do jiu-jitsu e por isso está numa fase de ascensão'', apontou. Ele conquistou o bronze competindo pelas categorias absoluto e meio-pesado.
Segundo Magoo, existem brasileiros que estão sendo chamados para dar aulas para crianças nas escolas de Abu Dhabi por até US$ 5 mil. ''Nem precisa ser muito qualificado, porque é um público infantil'', completa.
Magoo também acredita que daqui a alguns anos os europeus e americanos vão dominar o jiu-jitsu, pois eles possuem maior estrutura para treinamentos à disposição. Quanto a possibilidade de deixar o Brasil e se aventurar mundo afora ensinando artes marciais, ele é cauteloso: ''É difícil abandonar os alunos e escola que já tenho aqui. Se fosse uma proposta irrecusável eu iria, mas para tentar a sorte não dá''.


