Jiu-jítsu faz a cabeça das crianças
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de setembro de 2013
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Faz apenas dois meses que a pequena Yngrid Ayumi de Oliveira Imamura, de 9 anos, começou a praticar o jiu-jítsu. Pouco tempo, porém suficiente para ela já começar a sentir os primeiros benefícios para o seu corpo em desenvolvimento. "Antes eu cansava muito rápido nas aulas de educação física na escola, e agora não canso mais. Meus hábitos estão mudando, estou comendo mais verduras e legumes, melhorou bastante a minha vida", conta ela.
O que aconteceu com Yngrid tem se repetido cada vez mais nos últimos anos com mais crianças. Depois de muito perder com a fama de esporte violento, o jiu-jítsu ganhou destaque com o crescimento das artes marciais mistas e vem conseguindo aos poucos afastar essa imagem. E, graças a isso, a modalidade tem se aproximado também das crianças. "Os pais geralmente chegam aqui para ver como é a aula e veem que não tem nada disso. O jiu-jítsu é um dos esportes que menos machuca, e traz muitos benefícios", argumenta o lutador e professor Daniel Macedo, o Black.
Ele enumera uma série de avanços que o jiu-jítsu pode trazer para a vida dos pequenos. "A autoconfiança, que é muito importante para a criança, para coordenação motora, equilíbrio. Tem também a questão do respeito, da filosofia do esporte. A gente tem uma hierarquia de respeito ao tatame, aos mais graduados, e isso a criança leva para fora da academia", cita.
Há pouco mais de um mês, o estudante Gabriel de Oliveira Zani, de 11 anos, se reveza entre o kickboxing e o jiu-jítsu e também já tem alguns motivos a comemorar. "Ficava em casa à tarde só no computador, jogando videogame e engordando. Em um mês, já emagreci seis quilos e estou muito feliz. O jiu-jítsu agora faz parte da minha vida, não consigo ficar sem", conta o garoto, que treina quatro vezes por semana. Ele gostou tanto que já faz até propaganda. "É um ótimo esporte para quem está pensando em começar uma atividade física, e não é violento", destaca.
Black reforça que o jiu-jítsu foi criado com base na técnica da imobilização, sem o objetivo de agredir o oponente. Ele conta que existe uma série de cuidados para evitar que as crianças se lesionem durante os treinos, e que adotou uma metodologia bastante diferente para tornar a atividade mais light para as crianças.
"Na parte dos adultos, tem o aquecimento normal, com corrida, flexão, abdominal, mas não podemos exigir para as crianças fazer estes exercícios, então tem que ser mais lúdico, com brincadeiras que estimulem o reflexo, a agilidade, como pega-pega, rolamento, para elas aprenderem a se proteger de uma queda", explicou o professor, frisando que é possível iniciar a prática aos cinco anos de idade.
Pai de Yngrid, o empresário Dener de Oliveira Imamura, que também é praticante há mais de um ano, foi o responsável por incentivar a filha no começo. "No início, ela teve um pouco de receio, achou que era coisa para menino, mas agora é ela quem pede para vir. Ela adora", contou ele, que levou também a esposa Cristiane para fazer kickboxing. "A gente percebeu que ela melhorou o relacionamento na escola, passou a respeitar os mais velhos, está sendo muito bom", relatou Imamura.
Para os pais que já pensam em colocar o filho para praticar, Black alerta para um cuidado. "É preciso sempre ficar atento e procurar academias credenciadas, e aqui em Londrina são poucas", encerrou.


