J.Hawilla denuncia cúpula da CBF
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Zurique - Para ganhar contratos com a CBF, a regra é simples: pagar subornos. Quem fez a confissão foi o empresário brasileiro, José Hawilla, pivô do maior escândalo do futebol internacional e que levou cartolas à prisão. Nesta semana, a Justiça norte-americana publicou a íntegra de seu depoimento. Nele, o brasileiro entregou a cúpula da CBF e revelou como pagou por mais de 20 anos subornos para ficar com contratos. Ele ainda acertou um acordo, devolvendo R$ 575 milhões e denunciou Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero.
"Desde 1980 eu desenvolvo meu projeto por meio da minha empresa Traffic. Eu comprei os direitos para eventos de futebol e comecei a promovê-los de uma maneira legítima pelo mundo", explicou o empresário.
Mas tudo começaria a mudar. "Quando eu fui renovar o contrato para um desses eventos, a Copa América em 1991, um dirigente associado à Fifa e sua federação, Conmebol, me pediu propina para eu assinar o contrato", contou. "Eu precisava do contrato por que eu havia assumido compromissos futuros".
"Depois disso e até 2013, outros dirigentes do futebol vieram a mim pedir propinas para assinar ou renovar contratos. Eu concordei em pagar propinas para contratos para a Copa América, a Golden Cup, para a Copa do Brasil e para o acordo de patrocínio para a seleção brasileira", disse.
Nos documentos que levaram à prisão de José Maria Marin, o ex-presidente da CBF foi gravado afirmando ao empresário que gostaria que o dinheiro da propina da Copa do Brasil fosse para ele. Os contratos de Hawilla com a CBF de 15 de agosto de 2012 envolvendo o torneio brasileiro foram, segundo os documentos da corte, entregues ao FBI. Segundo as investigações, Marin e Marco Polo Del Nero estariam entre os beneficiários do dinheiro.
Outro contrato com o envolvimento de Hawilla foi entre a CBF, comandada por Ricardo Teixeira nos anos 90, e a Nike. Pelo menos US$ 40 milhões em propinas foram repartidas, inclusive para o ex-presidente da CBF.


